Osmar Santos, 70

Por Rodney Brocanelli

Osmar Santos comemora 70 anos  neste 28 de julho. Ele é um dos grandes nomes do rádio esportivo em todos os tempos. Vamos relembrar alguns de seus momentos mais marcantes no rádio e na televisão.

A seguir, um especial em duas partes produzido e apresentado por André York, então na Rádio Banda B, de Curitiba.

Abaixo, Osmar saúda a volta de José Carlos Araújo à Rádio Globo, do Rio, no final de 1984.

A imagem não está boa, mas o que importa é o som. Osmar Santos narrando pela TV Globo um gol do Brasil no torneio olímpico de futebol em Los Angeles, também em 1984.

Osmar Santos já narrou Fórmula 1 pela Rádio Globo. Ouça um trecho da transmissão do GP da Argentina de 1978.

Em São Paulo, Osmar Santos começou a escrever seu nome na história do rádio esportivo na Jovem Pan. Abaixo, o registro da primeiro jogo da grande final do Paulistão de 1974, reunindo Palmeiras e Corinthians. O primeiro jogo, no Pacaembu terminou empatado em 1 a 1.

Poucos dias depois, o Palmeiras iria surpreender e bater o favorito Corinthians no Morumbi. Osmar transmitiu as emoções dessa partida também pela Pan.

Uma das maiores homenagens recentes a Osmar Santos é a bola Gorduchinha. A intenção era que ela fosse a bola da Copa aqui no Brasil. No entanto, a empresa de material esportivo oficial preferiu utilizar uma outra opção. Mesmo assim, o sonho virou realidade, graças a uma grande fabricante de material esportivo aqui do Brasil. Ao Radioamantes no Ar, o pai da ideia, Delen Bueno, contou um pouco mais da história.

Em 1983, a Rádio Globo liderava a audiência nas transmissões de futebol com a equipe esportiva comandada por Osmar Santos. A segunda colocada da ocasião, a Rádio Bandeirantes, tentava de todas as formas recuperar o terreno perdido. E o sistema de auto falantes do estádio do Morumbi à época foi usado como parte dessa estratégia. Em dias de jogos, sempre quando o serviço iria divulgar alguma informação relevante para os espectadores, uma vinheta era executada antes: uma variação do logotom do Escrete do Rádio. Aquilo procurava funcionar como uma mensagem subliminar para fazer com que o ouvinte se lembrasse da Bandeirantes e mudasse de estação. Isso irritava Osmar, que sempre dava um jeito de alfinetar a estratégia do concorrente. Isto aconteceu na final do campeonato paulista de 1983, disputada por Corinthians x São Paulo.

No último dia 12 de julho de 2017, pouco antes da partida entre Palmeiras x Corinthians, válida pelo campeonato brasileiro de futebol, foi inaugurado oficialmente as novas instalações para a imprensa no Allianz Parque. O nome oficial será Centro de Imprensa Osmar Santos, uma homenagem mais do que justa a um dos grandes nomes da imprensa esportiva. Osmar ganhou uma camiseta do Palmeiras personalizada e uma placa. Depois, ele descerrou uma outra placa que encerrou a solenidade

osmarsantos

Zé Nogueira, o contador de histórias

Por Marcos Lauro

O produtor Zé Nogueira como Einstein - Foto: Reprodução/Facebook
O produtor Zé Nogueira como Einstein – Foto: Reprodução/Facebook

Faleceu no inicio desta quinta-feira (30), aos 89 anos, o produtor José Nogueira Neto. Zé Nogueira, como era conhecido, trabalhou na Rádio Eldorado por cerca de 40 anos e acompanhou as mudanças da emissora – de local e de estilo. Além disso, foi também produtor de shows e eventos e trabalhou com gente como Adoniran Barbosa, Chico Buarque, Elis Regina, Toquinho, João Donato, Paulinho da Viola e Frank Sinatra – este último, quando coordenava os shows do night club do Maksoud Plaza e o hotel estava no seu auge em termos de programação e requinte. Era um luxo! Também acompanhou Ella Fitzgerald em sua passagem por São Paulo, usando seu fusquinha como meio de locomoção da cantora.

Trabalhar com Zé Nogueira na redação da rádio era uma festa. Aos 80 e tantos anos, ainda produzia (e muito bem) alguns programas como “A Cara do Jazz” (com apresentação de Paulo Caruso) e o “Adega Musical”, do sommelier Manoel Beato. História de bastidores: era tradição beber vinho durante as gravações desse programa, até que a direção baixou uma ordem que proibia alimentos e líquidos dentro dos estúdios. Zé Nogueira bateu o pé e argumentou que não fazia sentido fazer um programa sobre vinhos e afins sem beber. Conquistou o direito de serem os únicos com essa permissão e a tradição seguiu.

Estar com Zé Nogueira no dia a dia era ver, do nada, ele te trazendo uma carta carinhosa que a Elis Regina escreveu pra ele logo depois de dar um esporro no velhinho – Zé já tinha cabelos grisalhos há muito tempo. O causo: Depois de um show, Elis foi comer com os músicos e Bôscoli estava cansado, resolveu voltar para o hotel. Zé resolveu acompanha-lo. Os dois foram para o quarto do casal Bôscoli-Elis e resolveram dar uma encostadinha pra descansar… pegaram no sono. Eis que Elis chega, pega aqueles dois homens deitados em sua cama e começa a berrar, expulsando Zé do quarto. Depois veio a cartinha, com direito a coração desenhado. Essa carta ainda existe, foi guardada por Zé Nogueira assim como muitos outros itens – a exposição sobre Adoniran no Farol Santander, em São Paulo, contou com itens cedidos pelo produtor, assim como uma exposição anterior sobre Elis, organizada pelos herdeiros.

Sem querer, Zé já me abriu portas e suavizou caminhos com pelo menos dois artistas famosos por serem avessos a entrevistas: um porque tinha Zé como um padrinho e outro porque foi apresentado a Chico Buarque pelo Zé. É um nome que abre corações e mentes.

A redação com Zé tinha trabalho, mas também tinhas essas histórias que beiravam o surreal e um espírito jovem, quase de criança – como quando Zé se candidatou a um cargo na Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) do Grupo estado e saiu pelo prédio com um cartaz todo improvisado escrito “VOTEM EM MIM”. Ganhou, claro E depois ficava tirando sarro dele mesmo: “Se esse prédio pegar fogo, fiquem tranquilos que esse velhinho aqui é o brigadista”.

Zé me ensinou até que o grito de “chupa!” nos estádios de futebol não tem conotação sexual alguma. Quando jovem, ele se lembra que provocavam outras torcidas de times que não saíram vencedores com gritos de “Perderam! Fiquem aí chupando o dedo!”. Nessa mania que a gente tem de ficar diminuindo as coisas, virou o “chupa!” de hoje. E, me desculpe, mas eu acredito num senhor que nadou num rio Tietê limpo com os amigos.

Zé Nogueira se foi, mas as histórias ficam, vivíssimas. Amigos têm horas e horas de áudios com entrevistas com o Zé contando dezenas dessas histórias do universo da música e do rádio. Ainda não sabem o que fazer com esse material, mas pode ser que tudo fique imortalizado em breve. Vamos torcer.

Memória: sete anos sem Cláudio Cabral

Por Rodney Brocanelli

Na madrugada do dia 14 de abril de 2012, um sábado, morria Cláudio Cabral, comentarista esportivo da Rádio Bandeirantes, de Porto Alegre. Ele havia dado entrada no Instituto de Cardiologia de Porto Alegre durante a madrugada. Não resistiu a uma parada cardíaca. Nesse dia, Cabral estava escalado para a transmissão de Internacional x Cerâmica, partida válida pelo campeonato gaúcho daquele ano, ao lado de Daniel Oliveira. A dupla de cabine acabou substituída por Marcos Couto e João Garcia.

A Radio Bandeirantes, de Porto Alegre, derrubou toda a sua programação daquela tarde e passou a falar de Cláudio Cabral. Personalidades esportivas, jornalistas e companheiros entraram no ar para relembrar fatos, convivência, manifestar pesar e saudades. Além disso, a emissora escalou o repórter Fabiano Brasil na capela do Cemitério São Miguel e Almas para o acompanhamento in loco do velório e enterro. Carlos Guimarães foi o âncora daquela inesperada cobertura

O narrador Marcos Couto teve a primeira oportunidade no rádio de Porto Alegre dada por Cláudio Cabral na Rádio Bandeirantes, na metade dos anos 1990. Cabral, por muitos anos, foi o gestor do departamento de esportes da emissora, ainda na fase tercerizada. Marcão contou na ocasião que as primeiras viagens para fora do estado e para fora do país como narrador foram proporcionadas por escalas feitas por Cláudio Cabral.

Quem também falou sobre Claudio Cabral nessa cobertura da Bandeirantes foi Lauro Quadros, que na época era apresentador da Rádio Gaúcha. Ambos trabalharam em rádios como Guaíba e Gaúcha. Lauro contou histórias sobre a família de Cabral (Cid, o pai, também foi jornalista, e Efraim, o tio, presidiu o Internacional e teve atuação na política de Porto Alegre), e sobre a participação de Claudio como dirigente de futebol no Internacional, nos anos 1970.

Wianey Carlet, então comentarista da Rádio Gaúcha, participou por telefone. Disse que costumava conversar com Cabral nas cabines dos estádios de futebol e, na ocasião, manifestou muita tristeza por não poder mais ouvir a sua voz miúda, mas transmissora de muito conhecimento. Falou que sempre procurava por Cabral nas cabines dos estádios de futebol. Fez questão de dizer que seus colegas de Bandeirantes prestaram a maior homenagem que ele poderia ter ao chamá-lo de Mestre Cabral.

No trecho abaixo, destacamos os depoimentos de Débora de Oliveira (hoje no SBT) e Paulo Pires (histórico nome da Bandeirantes) ao repórter Fabiano Brasil. Carlos Guimarães e João Garcia, então na equipe esportiva da emissora, aproveitaram para também falar dele.

cabral

Musical FM poderá ser comprada por Ratinho nos 20 anos de virada que marcou sua história

Por Rodney Brocanelli

O site Tudo Rádio publicou nesta terça uma notícia a respeito do interesse de Carlos Massa, o Ratinho da televisão, na Musical FM (105,7Mhz). A frequência onde opera hoje a rádio de orientação evangélica seria o porto seguro para entrada da Massa FM em São Paulo, sonho antigo do empresário. Luiz Benite, diretor executivo da Massa FM, confirmou que Ratinho manifestou interesse na Musical FM, mas sem entrar em outros detalhes (clique aqui para ler a reportagem complete e aproveite para prestigiar o Tudo Rádio).

Talvez Ratinho não saiba, mas ele poderá (repetindo: poderá) fechar negócio para a aquisição da frequência dos 105,7Mhz bem no ano em que se completam 20 anos da virada que marcou a história da Musical FM. Em 1999, ela deixou de ser uma rádio dedicada à MPB e passou a abrigar uma programação 100% evangélica. Na ocasião, essa mudança de perfil causou grande comoção entre os tradicionais ouvintes da emissora. Em 2009, ano que marcou os dez anos da mudança, publiquei um texto em outro blog relembrando esse fato. Clique no link abaixo para ler.

https://radiobaseurgente.blogspot.com/2009/02/ha-10-anos-musical-fm-abandonava-mpb.html

Ratinho

Memória: Hélio Ribeiro e Flávio Araújo batem bola no ar sobre o GP de Monza de 1976

Por Rodney Brocanelli

Graças a uma colaboração de Celso Casemiro, do Memorial Hélio Ribeiro, o Radioamantes recupera o trecho de um programa do apresentador veículado em 1976, as vésperas do GP de Monza de Fórmula 1, que seria disputado em 12 de setembro daquele ano. Para lá, a Rádio Bandeirantes enviou o narrador Flávio Araújo, que iria transmitir a corrida ao lado do comentarista Edgard Mello Filho. Neste áudio, Flávio Araújo inicia fazendo seu boletim com informações acerca do clima em Monza. Logo em seguida Hélio começa a fazer perguntas sobre o calor, sobre o câmbio, diárias de hotel, as músicas que tocavam nas emissoras locais de rádio e do desempenho dos pilotos brasileiros da época: Émerson Fittipaldi e José Carlos Pace. Ouça abaixo.

helio ribeiro flavio araújo

 

Super RNVW de Viamão Sara Brasil FM 95.5 e Web Radio Ouvinte comandam um pool de emissoras para o futebol

Por essa ninguém esperava: uma bomba sacode o radio gaúcho. A Super RNVW de Viamão e a Web Radio Ouvinte vão se unir à Radio Sara Brasil FM 95.5Mhz,  emissora da Rede Sara Brasil de Radio,  ligada à igreja Sara Nossa Terra para as transmissões de futebol.
Para que esta operação fosse colocada em pratica, a equipe da Web Radio Ouvinte terá que fazer a migração para o FM 95.5Mhz.
Paulo Cesar Carvalho vai liderar esta operação potencializada nessa nova fase com as transmissões em FM.
A Super RNVW e a  Web Radio Ouvinte comandam as operações, enquanto que a Radio Sara Brasil FM 95.5Mhz  vai retransmitir o conteúdo no dial e na web.
O início desta parceria será em janeiro, com a cobertura do campeonato gaúcho.
Em fevereiro, haverá o acompanhamento  da dupla Grenal na Copa Libertadores da América.
Para essa cobertura intensiva, a equipe esportiva está em processo de montagem.

Salomão Ésper faz aniversário e é festejado por colegas da Rádio Bandeirantes

Por Rodney Brocanelli

Salomão Ésper, um dos apresentadores do Jornal Gente, completou 89 anos de vida. A data não passou em branco entre seus colegas de Rádio Bandeirantes que compararam um bolo e cantaram parabéns. (Veja abaixo. Vídeo postado pelo perfil da Bandeirantes no Twitter).

Salomão Ésper

Programa Paixão Lusa relembra a última participação regular de Gil Gomes no rádio

Por Rodney Brocanelli

Gil Gomes foi homenageado nesta terça-feira pelo programa Paixão Lusa, veiculado pela Rádio Trianon. O comunicador era um apaixonadíssimo torcedor da Associação Portuguesa de Desportos, e sempre fez questão de demonstrar isso de forma pública. A ultima atividade de Gil no rádio foi como colunista do programa, no qual entrava de duas a três vezes por semana, fazendo comentários sobre as coisas relacionadas ao atual momento de seu time de coração.

Antonio Quintal, um dos apresentadores do Paixão Lusa, contou que esteve no dia anterior com Gil Gomes, que estava sob os cuidados de Vilma, uma de suas filhas. “Só mesmo um milagre mudaria a ordem das coisas”, disse.  Quintal contou que a participação do comunicador no programa foi uma sugestão de Vital Vieira Curto, que é administrador atual do Museu Histórico da Lusa. A proposta foi aceita e Gil participava às segundas, quartas e sextas, desde dezembro de 2016.

Durante um período, o Paixão Lusa passou a ser veiculado apenas de terça à sexta. Ainda assim, Gil Gomes não interrompeu sua colaboração, falando apenas às quartas e às sextas. Mesmo depois que a atração voltou a ter uma edição às segundas, ele manteve suas entradas nesses dois dias da semana.

O comentário de Gil Gomes era sempre feito ao vivo. No entanto, como sua voz ficava debilitada, consequência da enfermidade que enfrentava, ele deixava de participar do programa. Por sugestão dele próprio, as entradas passariam a ser gravadas, sempre que a saúde permitisse, e assim foi feito. A última participação ocorreu no dia 19 de setembro deste ano.

Quintal aproveitou também para falar do primeiro jogo da Portuguesa que o então menino Gil Gomes foi assistir: Portuguesa 6 x 5 Fluminense, disputado em 18 de dezembro de 1949, partida válida do Torneio Rio-São Paulo de 1950. A Lusa abriu uma vantagem de 5 a 1, mas uma má atuação do goleiro Bolivar, segundo o relato, permitiu que o clube cariosa chegasse à igualdade. Nininho acabou fazendo o gol de desempate, garantindo assim a vitória da Portuguesa. Bolivar foi substituído por Caxambu.

Ouça abaixo a fala de Antonio Quintal sobre Gil Gomes.

gilgomeslusa

 

Zé Bettio hits

Por Marcos Lauro

Conforme noticiado neste blog, o rádio perdeu uma das suas figuras mais folclóricas. Aos 92 anos, Zé Bettio morreu da forma simples como sempre viveu: dormindo e sendo enterrado no mesmo dia, sem alarde.

Durante sua carreira, lançou mais de 20 álbuns por gravadoras como Chantecler, Copacabana, Beverly e CBS. Discos como “A Charanga do Zé”, de 1981, e “O Bailão do Mexe-Mexe”, de 1994, ressaltam a sanfona como seu instrumento preferido e, assim como seus programas de rádio, trazem o ar do campo e do sertão para quem ouve.

Além disso, Zé Bettio também colaborou para a discografia de muitos artistas de peso. Milionário e José Rico, Waldick Soriano, Tonico e Tinoco e Trio Parada Dura, entre outros, gravaram composições do radialista. Revezando canções tristes de amor com outras que carregam aquele bom humor característico do sertanejo, Zé Bettio colaborou também com a carreira de artistas que carregam aqueles nomes que vez ou outra pintam pela internet em formato de meme e a gente pensa que é mentira. Entre eles tem Poeta e Trovador, Solevante e Soleny, Felizardo e Vitorioso, Canário e Passarinho e Sagitário e Capricórnio.

Clique na imagem abaixo, da estilosa dupla Leo Canhoto e Robertinho, e ouça a playlist com 33 músicas compostas por Zé Bettio:

Zé Bettio hits
Zé Bettio hits

 

Memória: O Mundo Inteiro e Você, da Rádio Bandeirantes

Por Rodney Brocanelli

Ouça abaixo uma edição de O Mundo Inteiro e Você, boletim jornalístico da Rádio Bandeirantes, veiculado sempre a cada meia hora na programação da emissora. Notas curtas lidas pela locutora ou locutor de plantão. Este registro veio sem indicação de data ou de qual foi seu apresentador  (provavelmente, é da primeira metade dos anos 1970). Informações são bem-vindas. Nessa época, o boletim tinha o patrocínio de uma famosa marca de cigarro. Vale aqui então a advertência do Ministério da Saúde: fumar causa diversos males à sua saúde.

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Oscar Ulisses e Nilson Cesar seguem sem narrar conquistas do Brasil em Copas do Mundo

Por Rodney Brocanelli(*)

A Copa do Mundo da Rússia caminha para seu término e pelo menos dois narradores titulares de grandes emissoras de São Paulo seguem sem ter narrado um título mundial do Brasil. São eles: Oscar Ulisses, da Rádio Globo, e Nilson Cesar, da Rádio Jovem Pan. Se não houver qualquer alteração de última hora nas escalas, eles estarão narrando a grande final do próximo domingo, envolvendo França e Croácia por suas emissoras.

No encerramento da transmissão de Brasil x Bélgica, partida válida pelas oitavas-de-final (veja abaixo), Nilson Cesar falou da sua frustração pessoal com a desclassificação brasileira, uma vez que ele tem o sonho de gritar “Brasil Campeão” no microfone da sua emissora. “Nesses 36 anos, apesar de oito Copas aqui na Jovem Pan, não tive essa chance ainda, mas quem sabe no Catar, né? Vamos torcer para que isso possa ocorrer um dia na minha vida”, acrescentou. Nilson Cesar passou a ser titular da narração na Jovem Pan no ano 2000, quando José Silvério se transferiu para a Rádio Bandeirantes. Desde 2006,  ele esteve em todas as finais. A seleção brasileira é que decepcionou.

Quando o Brasil se sagrou pentacampeão mundial na Copa realizada na Coréia/Japão, em 2002, a Jovem Pan não transmitiu aquela competição. A direção da emissora decidiu não desembolsar o valor cobrado pelos direitos de transmissão e optou por seguir um caminho alternativo (saiba mais aqui).

Por outro lado, uma decisão da Rádio Globo acabou fazendo com que Oscar Ulisses, titular das jornadas esportivas da capital paulista  não narrasse o título de 2002. A emissora adquiriu os diretos de transmissão desta Copa. Entretanto, na ocasião, estava vigorando o projeto Rádio Globo Brasil, que uniu em grande parte as programações das emissoras do Rio e de São Paulo. Até então, cada regional fazia a sua cobertura própria. Para aquela edição, a Globo investiu no nome de José Carlos Araújo como narrador das partidas da seleção brasileira.

Oscar Ulisses passou a ser narrador titular da Rádio Globo paulistana a partir de 1995, com o afastamento de Osmar Santos. No entanto, ele esteve no comando da transmissão da final da Copa de 1986, no México, que colocou frente a frente Alemanha e Argentina. A taça ficou com os argentinos, depois da vitória no tempo normal pelo placar de 3 a 2. Osmar narrou essa mesma partida pela TV Globo. Doze anos depois, em 1998, Oscar narrou a final Brasil x França. Entretanto,  Zidane acabou com o sonho de milhares de torcedores brasileiros e, por tabela, com o sonho de Oscar em narrar uma conquista brasileira.

Em 2006, talvez percebendo o equívoco cometida na Copa anterior, a Rádio Globo fez com que José Carlos Araújo e Oscar Ulisses dividissem a narração dos jogos da seleção brasileira. Porém, Zidane apareceu mais uma vez pelo caminho e ele não estava sozinho. Na partida contra o Brasil, válida pelas quartas-de-final, o craque francês cobrou uma falta e Henry completou para o fundo da rede. Nas competições seguintes (2010 e 2014), a Globo refez a divisão das emissoras carioca e paulista. O desempenho brasileiro, entretanto,  não colaborou com Oscar.

Falamos agora de José Silvério e Éder Luiz. Do primeiro, nem é necessário se alongar  muito, uma vez que ele está chegando à sua décima primeira final seguida de Copa do Mundo, narrando os títulos brasileiros obtidos em 1994 (EUA) e 2002 (Coréia/Japão).  Éder Luiz também esteve nessas duas finais. Em 1994, ele transmitiu o jogo pela Rádio Bandeirantes, substituindo Fiori Gigliotti, que não pode empunhar o microfone da emissora por ser candidato a deputado estadual em São Paulo nas eleições daquele ano. Fiori não conseguiu se eleger. Já em 2002, Éder narrou aquela conquista brasileira pela Rádio Transamérica.

(*) Post feito a partir de uma sugestão do jornalista Celso Luís Gallo.

oscarenilson

Edison Scatamachia conta histórias da época de Osmar Santos na Rádio Globo.

Por Rodney Brocanelli

O perfil Narração Esportiva, ativo no You Tube, vem publicando uma série de entrevistas de Edison Scatamachia, jornalista que foi coordenador de produção do departamento de esportes da Rádio Globo nos anos 1980, que corresponde ao auge da carreira de Osmar Santos. Scatinha, como era chamado por Osmar, contou algumas histórias de bastidores desse período. Esse depoimento é precioso porque talvez seja um dos poucos que detalham coisas da época em que a Globo dominou a audiência do rádio AM paulistano.

Vindo da imprensa escrita, Scatamachia resolveu adotar um roteiro para as transmissões esportivas. E nele, era obrigatório o giro de manchetes dos repórteres, que depois iam detalhando as informações, muitas delas recheadas com entrevistas pré-gravadas. Esse investimento no jornalsimo, segundo ele, foi o grande pulo do gato para que a Globo tomasse a audiência da Rádio Bandeirantes, que até então era a líder das pesquisas de audiência. “Nós viramos o jogo com a notícia”, conta. Isso, claro, sem perder o bom humor, que era outra características das transmissões. Veja abaixo.

No trecho abaixo, Scatinha também fala sobre Fausto Silva e Lucimara Parisi, outros dois grandes nomes daquela equipe, que atingiram voos maiores em suas respectivas carreiras. Para ele, o grande sucesso do Perdidos na Noite (programa da tv derivado do Balancê, da Rádio Excelsior) era a absoluta falta de organização. Depois, o jornalista conta divertidas histórias da participação de Osmar Santos como apresentador dos comícios das Diretas Já.

Edison Scatamachia

A invenção do Off Tube, por Flavio Alcaraz Gomes

Por Rodney Brocanelli

Oficialmente,  o off tube foi criado em 1966, durante a Copa da Inglaterra. No começo, era um ato de resistência e de criatividade face à concorrência. No vídeo abaixo, Flavio Alcaraz Gomes, nome célebre do rádio e da tv do Rio Grande do Sul,  conta como a Rádio Guaíba teve de se virar para fazer a cobertura da Copa de 1966, na Inglaterra. A concorrente Rádio Gaúcha, por intermédio de um acordo com a Rádio Itatiaia (BH), conseguiu lugar nos estádios, deixando de fora a Guaíba. A solução foi arrumar junto à BBC uma televisão que exibisse os jogos da competição e o som ambiente das partidas. Os profissionais da emissora eram acomodados diante do receptor de tv e, com as imagens, faziam a narração dos jogos. Nascia assim o off tube, prática devidamente adaptada, que persiste até hoje. Veja abaixo.

Flavio Alcaraz Gomes

 

Memória: Ennio Rodrigues narra os gols do Tri do Brasil no México pela Bandeirantes

Por Rodney Brocanelli

Pouco depois da conquista do tricampeonato mundial de futebol pela seleção brasileira no México, a Rádio Bandeirantes e a RCA Victor (hoje Sony Music) lançaram um LP chamado A Copa é Nossa, com os registros sonoros da emissora paras conquistas do nosso escrete nas edições de 1958, 1962 e 1970. Para a compilação do registro das vitórias na Suécia e no Chile, respectivamente, a tarefa até que foi fácil. A Bandeirantes transmitiu as partidas do Brasil na íntegra com as narrações de Edson Leite e Pedro Luiz. Entretanto, havia um problema com as transmissões da Copa do México. Na ocasião, devido a questões técnicas, Bandeirantes, Nacional (hoje Globo) e Jovem Pan tiveram de fazer um pool de transmissão, unindo narradores dos três prefixos: Fiori Gigliotti, Pedro Luiz e Joseval Peixoto. Cada um deles transmitiu pedaços dos jogos do Brasil naquela competição. Para lançar um LP comercial, talvez a união não fosse tão fácil. Qual foi a saída? Chamar o então narrador Ênnio Rodrigues e o repórter J. Hawíla (ele mesmo) para regravar as partes cujo áudio não é da Bandeirantes. Isto facilitou a produção desse álbum duplo, que com o passar dos anos, transformou-se em documento histórico do futebol e do rádio esportivo brasileiro.

Ouça no player abaixo os melhores momentos da partida Brasil x Itália, a grande final da Copa do México. Nesse registro do LP, Ênnio acabou narrando todos os gols do Brasil naquela partida, enquanto que a voz de Fiori Gigliotti é ouvida em áudio original no gol de empate da Azurra.

 

Para quem quiser baixar a versão digitalizada de A Copa é Nossa, baixa clicar no link abaixo.

http://sintoniamusikal.blogspot.com.br/2014/06/documento-copa-e-nossa-lp-duplo-1970.html

Tostão

Foto: Reprodução

 

Memória: relemebre a transmissão de Porto x Peñarol, em 1987, pela Rádio Globo (SP)

Por Rodney Brocanelli

Em 1987, a partida da Copa Intercontinental (ou Copa Toyota ou Mundial de Clubes, decidam aí), colocou frente a frente o Peñarol, do Uruguai, e o Porto, de Portugal. O que era para ser mais um grande duelo, acabou se transformando em algo diferente, graças à nevasca que assolou a cidade de Tóquio na ocasião. Não consegui achar qualquer relato que trouxesse a temperatura exata na hora da partida, mas as imagens da época mostram muita neve espalhada pelo gramado do estádio Nacional. A disputa só não foi cancelada devido aos altos custos para a organização do evento.

Outro fato para lá de curioso que envolve esse jogo é que uma emissora de rádio do Brasil esteve em Tóquio para a transmissão da partida. A Rádio Globo, de São Paulo, enviou para lá Wanderley Ribeiro e Marcio Bernardes. Um investimento bem ousado, uma vez que não havia equipe do Brasil naquela final. Os times daqui iriam só valorizar essa competição a partir de 1992, quando o São Paulo venceu o o Barcelona pelo placar de 2 a 1. Vale destacar também que o rádio esportivo ainda não tinha entrado totalmente na era do off tube, quando as partidas são feitas dos estúdios de rádio e não dos locais dos jogos.

Apesar do clima desfavorável, tivemos futebol. Tivemos gols também. Fernando Gomes colocou o Porto em vantagem aos 41 minutos do primeiro tempo. Vieira empatou aos 35 minutos da segunda etapa. O argelino Madjer desempatou na prorrogação e seu gol deu o título à equipe portuguesa.

Veja todos esses gols (antes que o YouTube tire do ar) com a narração de Wanderley Ribeiro e as reportagens de Márcio Bernardes. Agradecimentos especiais ao Maurício Bastos, que rodou o áudio dessa partida no seu Futebol à Manivela. Agradeço também a Edu Cesar, do Papo de Bola, que fez a montagem publicada no maior site de vídeos da internê.

portoxpen1987