Ouça a última edição de O Pulo do Gato sob o comando de José Paulo de Andrade

Por Rodney Brocanelli

3 de julho de 2020 é uma data que já entrou para a história do rádio brasileiro. Neste dia, uma sexta-feira,  José Paulo de Andrade apresentou pela última vez O Pulo do Gato. E ele estava animado. Não parecia que dali a poucos dias, ele estaria lutando pela vida. “Ô gente animada, hein? É bom começar o programa assim lá em cima, lá no alto”. Foram essas suas primeiras palavras na abertura do jornalístico.

“Podia ser uma sexta diferente, né? Com aqueles avisos que sempre dávamos aqui: ‘Você que não vê a hora de acabar o expediente para confraternizar com os amigos, lembre-se sempre que bebida e volante  formam uma parceria que pode ser mortal’. É, mas isso tudo vai passar e vamos voltar àquelas sextas-feiras tão gostosas”, disse ele.

Em seguida falou da lua: ” a lua cheia já tá dando um chega pra lá na crescente. Tá uma coisa maravilhosa.

O Pulo do Gato seguiu seu curso normal com as participações de Amanda Sampaio, Paula Soares (ambas previsão do tempo), Guilherme Cimatti (futebol), Julianne Cerasoli (Fórmula 1), Elia Júnior (boletim olímpico), Ricardo Capriotti (pílula do “Fôlego”), Nelson Gomes (editorial do Grupo Band), Márcio Fernandes (boletim do canal Agro+), Lucas Jozino, Lucas Herrero e dos colunistas Carol Sandler, Fernando Mitre e Milton Neves.

“Daqui pra frente, Primeira Hora”. Foi assim a sua despedida os ouvintes. No dia seguinte (4), um sábado, ele estava de folga. Na segunda (6), já não esteve a frente do programa. Pedro Campos ficou em seu lugar.

Embora sua imagem tenha ficado bastante associada ao Pulo, José Paulo de Andrade não participou de sua estreia em 02 de abril de 1973. Seu primeiro apresentador foi Gióia Jr. Como não houve adaptação do estilo do apresentador com o perfil do programa, houve a troca. Zé Paulo assumiu o comando e o casamento foi perfeito e duradouro.

José Paulo de Andrade morreu na madrugada desta sexta (17) aos 78 anos. Ele estava internado no Hospital Albert Einstein desde o dia 7 de julho e foi diagnosticado com o Covid-19, mais popularmente conhecido como Coronavírus.

Ouça abaixo a íntegra da última edição de O Pulo do Gato sob o comando de Zé Paulo. Cortesia de Edu Cesar.

_José

Memória: Serginho Leite imita Pelé e engana Xuxa durante entrevista

Por Rodney Brocanelli

Em 1981, a então modelo e atriz Xuxa concedia uma entrevista ao Show da Manhã, da Rádio Jovem Pan AM. Ela falava sobre aspectos da sua carreira, de um documentário que estava filmando e de seu namoro com Pelé, que fazia a alegria do jornalismo de celebridades da época. Em dado momento, o próprio Pelé entrava no ar para surpreender a namorada. No entanto, tudo não passou de uma armação da produção do programa. Na verdade, quem entrou no ar foi Serginho Leite, apresentador da Jovem Pan FM, humorista e exímio imitador de famosos (ouça abaixo).

Esse episódio é bastante conhecido no rádio de São Paulo. Durante o papo, alguém da produção do Show da Manhã teve a ideia de chamar Serginho Leite para imitar Pelé e provocar alguma reação em Xuxa. Na ocasião, Serginho estava no ar pelo FM. A proximidade dos estúdios do AM e do FM facilitou a situação. Apesar da pegadinha (que talvez nem se chamasse dessa forma nos anos 1980), a futura Rainha dos Baixinhos levou essa situação inesperada na boa.

Outro detalhe dessa entrevista é que ela foi feita fora do estúdio e em seu comando estava Ana Maria Penteado (que muitos ainda insistem em confundi-la com Ana Maria Braga, apresentadora da Rede Globo). Além dela, o então produtor Luiz Henrique Romagnoli colaborou, fazendo perguntas à entrevistada.

Um dado curioso é que foi citado um documentário que Xuxa estaria finalizando chamado “Xuxa no Cinema – Nasce uma Estrela”. No entanto, não foi encontrada qualquer menção a ele na Internet, pelo menos com esse título. Pela descrição, essa obra destacaria sua primeira participação em cinema, no filme “Amor Estranho Amor” (aquele mesmo).

Serginho Leite e Xuxa

A história de Miriam Lane

Por Rodney Brocanelli

No começo de 1984, um crime abalou São Paulo, em especial radialistas e ouvintes. Um tiro dado pelas costas abreviava a carreira de uma jovem profissional que aos 21 anos trabalhava em uma das principais emissoras da capital.  Na ocasião, ela era uma das poucas vozes femininas atuando em Frequência Modulada. Conquistou fãs durante sua breve passagem pela emissora, mesmo ocupando um horário fora daqueles que atraem bastante público. Estamos falando de Miriam Lane, da Rádio Jovem Pan FM.

Miriam Lane, ou Miriam Clea dos Santos Tavares Barcelos Garcia, nasceu em Muzambinho (MG). Mudou-se para Campinas, onde começou a cursar a faculdade de Jornalismo na PUC.

Ainda em Campinas, conseguiu uma vaga no departamento de jornalismo na Rádio Educadora AM. Por ter uma voz bonita, começou a apresentar um programa de músicas de Roberto Carlos chamado Nossa Canção. Posteriormente, o passou a ser locutora da Educadora FM. Seu nome artístico nessa ocasião era Miriam Tavares.

Pedro Bondaczuk, jornalista que conviveu com ela naquela época, publicou um texto sobre Miriam no jornal Correio Popular, logo depois de sua morte. Segundo ele, a colega “irradiava simpatia, quebrando um pouco aquele clima sisudo, que muitas vezes nos dominava”.

Outras impressões de Bondaczuk: “Lembro-me, nitidamente, da sua figura, morena, bonita, sempre sorrindo (Mírian sorria com os olhos, profundos, românticos e sonhadores), ora brincando com a turma do Departamento de Esportes e de Jornalismo, ora se divertindo com as piadas do Ari Costa, ou trocando ideias com a Lucinha de Fátima na discoteca, sobre determinada canção do seu ídolo, ou pedindo algum esclarecimento ao nosso chefe, o Alair Beline, quando não mexendo com o pessoal da Técnica, o Wagnaldo Silva, o Carioca, o Joãozinho ou o Marcelo de Almeida”. (leia a versão integral aqui).

Na Rádio Educadora, Miram conheceu Pablo Garcia, que na época era coordenador de programação da emissora. Já casados, se mudaram para São Paulo no início de 1983. Ele conseguiu uma vaga na Bandeirantes FM (hoje Band FM). Ela, por sua vez, arrumou uma vaga na Rádio Jovem Pan FM (na época a Jovem Pan 2) e passou a comandar o horário noturno, entre 22h e 02h, adotando o pseudônimo de Miriam Lane.

Não se sabe quem foi que a batizou dessa maneira na Pan, mas esse era o nome da namorada do Super Homem nas edições brasileiras de suas histórias em quadrinhos publicadas no Brasil naquele período (somente depois é que o nome Lois passou a ser adotado).

Segundo o Jornal do Brasil do dia 01 de fevereiro de 1984 , seus colegas de Pan a definiram como “uma mulher simpática e alegre, que chegava cedo ao estúdio para preparar melhor seu horário, com leituras e conselhos de amigos”. Além disso, como registrou o diário, ela “recebia muitas cartas e telefonemas, principalmente depois de ter sido apresentadora de um show de aniversário da rádio, no Ginásio do Ibirapuera”.

Na Pan, Miriam encontrou um conterrâneo: Milton Neves, que na época fazia o plantão das transmissões esportivas do AM. Ambos conversavam muito nas noites de quarta e quinta, quando Neves estava na emissora (veja aqui). Ele conheceu os pais dela, Zélia e Lincoln, ainda em Muzambinho (veja aqui).

Como Miriam saia muito tarde da rádio, um colega ou então um amigo sempre ficava encarregado de levá-la para casa, no bairro do Itaim Bibi.  Na madrugada do dia 28 de janeiro, um sábado, Beto Rivera, então locutor da emissora, foi quem lhe deu carona.

Conforme relatos da imprensa, a radialista desceu na rua Itacolomi, onde morava. Depois de sair do carro de Rivera, um Escort, ela se dirigiu até a porta do prédio. No entanto, ela foi cercada por dois ladrões que anunciaram um assalto. Assustada, ela empurrou um deles e correu para o veículo dirigido por Rivera. Um dos bandidos estava armado com um revólver calibre 22 e atirou nela. Depois do disparo, a dupla entrou em um Volks branco, no qual outra pessoa os aguardava.

Miriam foi socorrida por Beto e levada para o hospital São Luís. Ao ser atendida, foi constatado que o tiro acertara sua cabeça. Já chegou em estado de coma. O Jornal do Brasil informou que “só seu coração funcionava devido à juventude e à ajuda de instrumentos”. Ela morreu em 31 de janeiro de 1984.

Depois do anúncio oficial, a Jovem Pan passou a veicular uma chamada em sua programação com a voz de Miriam identificando a emissora e, em seguida, o seguinte editorial: “Miriam Lane está morta. Miriam Lane é mais uma vitima fatal da violência da cidade. Miriam Lane foi baleada por assaltantes na porta de sua residência, quando voltava de suas apresentações diárias na Rádio Jovem Pan FM. Mirian Lane está morta. Nós estamos sós diante da violência da cidade.”

O enterro aconteceu em sua cidade natal.

Um boletim de ocorrência foi lavrado no 15º Distrito Policial, próximo ao prédio onde Miram morava. A Polícia Civil trabalhou com várias linhas de investigação, entre elas a de uma possível vingança. O caso foi desvendado mais de dois anos depois e praticamente por acaso.

Em julho de 1986, ao investigar um assalto a uma loja de automóveis, a  Polícia prendeu um suspeito de praticar esse crime. Durante o depoimento, ele confessou ter participado de uma tentativa de assalto que não chegou a ser concluída após ter feito um disparo.  No dia seguinte, pela mídia, ficou sabendo que a vítima, segundo suas palavras, era “uma garota famosa da rádio FM”.

O então delegado do 27º Distrito que efetuou a prisão quis saber o motivo do disparo. “Fiquei assustado”, foi a resposta. Outro dos bandidos, que dirigia o Volks branco, também foi preso na mesma época. Faltava apenas localizar o terceiro integrante dessa gangue.

Demorou um pouco, mas ele logo foi identificado. A grande ironia dessa história (se é que dá para colocar dessa forma) é que mais de dois anos depois, esse sujeito deixou o mundo do crime e arrumou emprego como caixa em um grande banco. Na ocasião, havia acabado de se casar e estava em lua de mel. Com sua prisão, a Policia Civil considerou esclarecida a morte de Miriam Lane.

O trio foi levado à julgamento e posteriormente condenado. As penas variaram de 15 a 18 anos de reclusão, segundo informações do Jornal do Brasil em 16 de outubro de 1986.

Voltando a 1984, pouco antes da tragédia, Miriam Lane participou das gravações de um especial produzido pela BB Vídeo para a TV Record. Ao lado de Bob Floriano, outro conhecido nome do rádio, ela fez a introdução de clipes musicais com artistas do porte de Lionel Ritchie, Dalto, Beth Carvalho, Martinho da Vila, entre outros. Mesmo depois de sua morte, a emissora manteve a veiculação do programa, programado para o dia 7 de fevereiro daquele ano. Quem quiser assisti-lo, basta clicar neste link (é necessário estar logado no VK).

Deste programa, destacamos dois trechos com a voz de Miriam Lane. Talvez os únicos registros que restaram de uma voz tão marcante. Ouça abaixo.

 

ATUALIZAÇÃO (25/04/2021) – Veja no player abaixo as intervenções de Miriam Lane no programa.

Miriam Lane

Atenção: não confundam a Rádio Nacional (SP) com a Rádio Globo (SP)

Por Rodney Brocanelli

Com a recente notícia de que a Rádio Globo vai abandonar São Paulo, muita gente boa tem feito uma enorme confusão envolvendo a história da Rádio Nacional, de São Paulo, com a Rádio Globo, de São Paulo. De certa forma, isso é normal porque uma é sucessora da outra na hoje extinta frequência dos 1100Khz. Eu fiz uma thread no Twitter (chique, não) para procurar esclarecer essas diferenças (clique aqui). Trago essas informações aqui para o Radioamantes para obter maior alcance.

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Bom, tem muita gente confundindo a história da Rádio Globo (SP) com a história da Rádio Nacional (SP), que a antecedeu…li uma manchete ontem que me deixou de queixo caído.

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A Rádio Nacional (SP), era uma emissora das Organizações Victor Costa, que também era dona da antiga TV Paulista, canal 5. Em 1965, essas emissoras, mais a Rádio Excelsior, foram vendidas para Roberto Marinho/Globo.

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Mesmo depois da venda, o nome Nacional foi mantido pelo novo dono, sabe-se lá o porquê. Isso durou até 1977 quando o governo da época pediu para que houvesse uma troca de nome. Isso devido ao fato de que já existia a Rádio Nacional, do Rio de Janeiro.

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Aquela mesma Rádio Nacional, de tanta tradição e história, que já foi uma maiores rádios do país, na época em que o veículo era forte. Aliás, muita gente também confunde as rádios Nacional do Rio e de São Paulo. Elas não tem nada a ver uma com a outra.

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Em 1977, a Nacional, de São Paulo, adotou o nome Globo-Nacional. Naquela transmissão de Corinthians x Ponte Preta, decisão do Paulista, o Osmar Santos fala muito nele. Veja abaixo.

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Acho que no ano seguinte, é que ficou apenas o nome Globo. Tudo isso que eu contei até aqui se refere aos 1100Khz, de São Paulo.

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Vale destacar que o Silvio Santos, de fato, foi comunicador da Rádio Nacional, mesmo depois da venda ao Roberto Marinho, conciliando com o programa na incipiente Globo. Mas o comunicador saiu em 1976, antes do começo da transição Nacional-Globo.

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Até faria sentido fazer essa relação, quando a Globo decidiu abrir mão dos 1100Khz. Essa frequência, sim, digamos, revelou Silvio Santos, ainda como Nacional, mas não a Rádio Globo.

radiogloboantiga

Memória: paulistas ouviram narração de Pedro Carneiro Pereira na Copa de 1970

Por Rodney Brocanelli

Neste final de semana, a Rádio Guaíba colocou no ar mais dois jogos históricos de seu arquivo, desta vez, envolvendo a seleção brasileira de futebol. No sábado (9), a emissora rodou a gravação de Brasil x Zaire, partida válida pela Copa do Mundo de 1974, na Alemanha, com narração  de Armindo Antonio Ranzolin, Neste domingo (10), foi veiculada a reprise de Brasil x Tchecoslováquia, estreia das duas seleções na Copa de 1970, no México. É desse segundo jogo, que o Radioamantes vai destacar algumas curiosidades.

Primeiro que a transmissão partida disputada no Estádio Jalisco, em Guadalajara foi transmitida em pool. Diferente do que ocorreu na Copa seguinte, quando cobriu aquela competição sozinha, a Guaíba se uniu à extinta Rádio Continental para a transmissão dos jogos daquela competição. Profissionais das duas emissoras se dividiram  para irradiar emoção aos rádios tanto de Porto Alegre, como do Rio de Janeiro.

Pela Guaíba, estiveram transmitiram os jogos Pedro Carneiro Pereira (narrador), Ruy Carlos Ostermann (comentarista) e João Carlos Belmonte (repórter). Pela Continental, Clóvis Filho (narrador), Carlos Marcondes (comentarista) e Luís Fernando (repórter). Cada narrador comandava a transmissão em um tempo da partida. Os outros profissionais participavam juntos e intervinham sempre que necessário.

Pedro Carneiro Pereira narrou a primeira etapa de Brasil x Tchecoslováquia. E justamente aqui que temos as curiosidades mais saborosas. Como se sabe, a transmissão da Copa do México foi dividida em diversos pools (entenda mais aqui). Um deles, o de São Paulo, que envolveu as rádios Jovem Pan, Bandeirantes e Nacional (hoje Globo) enfrentou dificuldades técnicas logo de cara. A saída para essas emissoras foi usar o áudio da Guaíba-Continental, que chegava sem problemas ao Brasil. Com isso a transmissão  de Pedro Carneiro, um dos maiores narradores do Rio Grande do Sul, foi ouvida pelos paulistanos. Em vários trechos de sua narração, ele informa os problemas técnicos vividos pelos paulistanos e anuncia o nome das rádios.

O pool de São Paulo só conseguiu entrar no ar aos 8 minutos do segundo tempo, com  Joseval Peixoto, representando a Jovem Pan, saudando os ouvintes e passando o comando para Fiori Giglotti, da Bandeirantes. “Ninguém pode imaginar o drama e o sacrifício que vivemos, que experimentamos até agora para que nosso som chegasse ao Brasil”, disse o locutor da torcida brasileira. Fiori e Joseval fatiaram a transmissão do que restou daquele segundo tempo (ouça aqui o áudio disponibilizado pelo jornalista Thiago Uberreich).

A transmissão do pool Guaíba-Continental seguiu normal para as duas rádios, com Clóvis Filho assumindo a narração. Aliás, essa reprise veiculada pela rádio porto-alegrense serviu também para resgatar um a memória da  Continental, que operava nos 1030Khz no Rio de Janeiro e era uma das grandes audiências locais durante o futebol.

Pedro Carneiro Pereira foi diretor do departamento de esportes da Rádio Guaíba. Além disso, sua outra paixão era pela pilotagem. Ele morreu em 1973, aos 35 anos, em um acidente durante a 4ª etapa do campeonato gaúcho de carros turismo, no autódromo de Tarumã, em Porto Alegre.

Ouça no link abaixo a íntegra de Brasil x Tchecoslováquia.

https://www.facebook.com/613005798713948/videos/853548625138549/

Pedro Carneiro Pereira

Memória: em 1982, Mané Garrincha analisa futebol da seleção brasileira na Jovem Pan

Por Rodney Brocanelli

Agosto de 1982. Cinco meses antes de sua morte, Mané Garrincha esteve nos estúdios da Rádio Jovem Pan, em São Paulo,  participando do programa Plantão de Domingo, apresentado por Milton Neves. Na entrevista, ele falou sobre diversos assuntos particulares e relacionados à sua carreira (clique aqui para ver). Não deixou de falar sobre futebol também destacando os assuntos do momento. Um deles era a recente desclassificação da seleção brasileira na Copa de 1982, disputada na Espanha.

Mesmo apresentando algumas dificuldades em sua fala, Garrincha mostrou-se bastante lúcido em sua análise. Disse que acompanhou todos os jogos das outras seleções que disputaram aquela Copa. Aproveitou até para relembrar que ele, enquanto jogador da seleção brasileira, acompanhava os jogos de possíveis adversários.

Sobre partida contra a Itália, que marcou a desclassificação do Brasil, Garrincha falou em “erro técnico”. E justificou dizendo que a seleção treinada por Telê Santana deveria jogar com a defesa plantada e partir para os contra-ataques. “Eles (os italianos) tinham que ganhar aquele jogo. Eles tinham que fazer o gol. Se eles fizessem o gol, o Brasil tinha que ir para frente, tudo bem. Fizesse o gol, volta normalmente a retranca e ficaria 1 a 1”.

Garrincha prosseguiu: “Quando empatamos, falei ‘agora o Telê vai plantar o time na defesa’, mas foi o contrário. Todos os jogadores queriam ir para a frente e fazer o gol, que foi um erro”.

Nessa manifestação, o ex-jogador citou dois titulares daquela seleção e reclamou do posicionamento: “Eu vi o Leandro jogar na frente do Júnior, do lado esquerdo. Nunca vi isso na minha vida. Só com o Telê que aconteceu isso. Eu acho que o Telê tinha que tomar providências naquele instante”.

No seu comentário, Garrincha não levou em consideração alguns detalhes da partida. A Itália fez  seu segundo gol numa falha em saída de de bola. O terceiro surgiu depois de uma jogada de escanteio. Entretanto, ele tem razão ao afirmar que faltou um cuidado defensivo maior para aquela seleção.

Sempre é bom ouvir Garrincha. Clique no player abaixo.

Garrincha

Ouça o milésimo gol de Pelé com narração de Darcy Reis e reportagens de Roberto Carmona

Por Rodney Brocanelli (*)

Em novembro de 2019, por ocasião do aniversário de 50 anos do milésimo gol de Pelé, publicamos aqui no Radioamantes uma seleção com registros de diversas emissoras de rádio (clique aqui para ver). Hoje, o blog acrescenta mais um registro para essa coleção, com a narração de Darcy Reis e as reportagens de Roberto Carmona.

Essa transmissão foi veiculada pela Rádio Gazeta (SP). Agradeço aos internautas que atenderam ao apelo feito neste blog e deixaram a informação aqui no sistema de comentários do blog.

Sobre o milésimo gol de Pelé, ele saiu durante a partida Vasco x Santos, disputada no dia 19 de novembro de 1969, no Marcanã, e foi válida pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa. O Peixe saiu vencedor pelo placar de 2 a 1.

Darcy Reis começou sua carreira na antiga Rádio Panamericana (hoje Jovem Pan). Teve passagens pela Rádio Bandeirantes (onde exerceu cargo de chefia) e na TV Gazeta, participando da inauguração da emissora, em 1970. No Grupo Bandeirantes, ocupou cargos de comando no departamento de esporte tanto do rádio e da televisão. Morreu em 29 de abril de 1989.

Um dos mais experientes profissionais de rádio do país, Roberto Carmona segue na ativa e atualmente faz parte da equipe de Éder Luiz, na Rádio Transamérica. Carmona já atuou pelas rádios Gazeta, Record, Bandeirantes, Jovem Pan, Excelsior e Nacional (Globo). Em 2014, quando completou 50 anos de carreira, ele concedeu uma entrevista ao programa Radioamantes no Ar, da web radio Showtime, na qual contou histórias e falou sobre seu trabalho (clique aqui para ver).

Agradecimentos especiais a Thiago Uberreich e Marcos Garcia.

(*) Post atualizado no dia 09/04, as 16h45, com a informação da emissora responsável pela transmissão. Na publicação original, feita no dia 08/05, foi deixado claro que havia uma dúvida se esse registro teria ocorrido na Rádio Gazeta ou na Rádio Record.

Pelé 1

Ouça José Silvério sem Tieline e com Tieline

Por Rodney Brocanelli

Ontem o Radioamantes publicou um post sobre o Tieline, um decodificador (ou codec) que converte o som telefônico em som de estúdio. Esse aparelho melhora muito a qualidade das transmissões externas e vem sendo usado por diversos profissionais de rádio que estão apresentando ou participando de programas (leia mais aqui).

No entanto, faltaram exemplos sonoros para demonstrar a diferença da qualidade de som. Para isso, vamos pegar duas narrações de José Silvério em dois momentos diferentes da história.

Em 1978, pela Rádio Jovem Pan, Silvério transmitiu as emoções da Copa da Argentina. Destacamos aqui o gol da vitória da seleção brasileira sobre a seleção italiana, marcado por Dirceu, na disputa pelo terceiro lugar. Reparem que o som tem a qualidade de uma ligação telefônica.

Agora, vamos destacar um registro da Copa da Rússia, em 2018, 40 anos depois. A partida em questão é Brasil x México, com vitória brasileira (e sofrida) pelo placar de 2 a 0. O narrador já estava na Rádio Bandeirantes. Com o avanço tecnológico e o uso do Tieline, notem como a qualidade de som tem um ganho substancial. O áudio é em estéreo e o ouvinte tem a sensação que José Silvério está no estúdio (o que não era o caso).

Silvério Pan e Bandeirantes

Memória: relembre a conquista do vôlei feminino nos jogos de 2012 na Rádio Guaíba

Por Rodney Brocanelli

Costuma-se dizer que no Brasil o mês de agosto é um mês desgosto. Porém, na Olimpíada de 2012, disputada em Londres, esse conceito não valeu na grande final do torneio de vôlei feminino. A seleção brasileira, comandada por José Roberto Guimarães, venceu a seleção norte-americana pelo placar de 3 sets a 1 (11/25, 25/17, 25/20, 25/17), conquistando assim a medalha de ouro. Foi um belo desfecho para uma campanha que começou irregular na primeira fase. No entanto, na fase eliminatória, prevaleceu a melhor técnica e o controle emocional das meninas do Brasil. O rádio esteve presente na cobertura desse grande momento do esporte nacional. Ouça abaixo o registro do último ponto daquela partida, convertido por Fernanda Garay, no registro da Rádio Guaíba, de Porto Alegre. Narração de Gilberto Junior.

Guaiba 2012

Sem agradecimento ou despedida, Rádio Globo deixa melancolicamente o AM em São Paulo

Por Rodney Brocanelli

No começo da madrugada desta segunda (10), aconteceu o desligamento do transmissor de AM da Rádio Globo. Desde então, a tradicional frequência dos 1100Khz está fora do ar. Conforme amplamente divulgado por sites que cobrem o rádio, o Grupo Globo solicitou ao Ministério das Comunicações a revogação da outorga que permitia a veiculação da programação da Globo na faixa de Amplitude Modulada.  Tal pedido aconteceu também com os 780Khz, canal do mesmo grupo por onde era transmitida a programação da CBN.

No player abaixo, é possível ouvir os últimos instantes na Globo no AM. Chama a atenção o fato de que não houve nenhuma despedida oficial, nenhuma retrospectiva e qualquer tipo de agradecimento. Um fim triste para uma frequência histórica. Antes da Globo, os 1100Khz abrigaram a programação da antiga Rádio Nacional que, apesar do nome,  não tinha nada a ver com o governo. Ela foi inaugurada em 1952 e pertencia às Organizações Victor Costa.

Em 1965, os veículos de comunicação que pertenciam à Victor Costa foram adquiridos por Roberto Marinho, entre eles a TV Paulista. Ela viraria mais tarde a TV Globo, de São Paulo. A Rádio Nacional permaneceu com este nome até 1977, quando o Governo Federal exigiu a mudança.  Após um período de transição e ajustes na programação, a Globo conquistou a liderança de audiência no AM em meados dos anos 1980.

Com a constante depreciação da faixa do AM, a Rádio Globo buscou incessantemente uma canal de  FM para transmitir sua programação. Em 2017, após um acordo com a Rede Mundial de Comunicações, a programação passou a ser veiculada nos 94,1Mhz. Para isso, houve uma reformulação total na grade, abandonando o segmento popular e apostando numa mistura de talk and news. Entretanto, essa reformulação não deu resultados e agora a Globo passou a ser musical, com algumas pitadas de futebol.

Ouça abaixo o triste fim da Rádio Globo no AM em São Paulo. Agradecimentos ao site Rádio Arquivo pelo registro.

rádio globo

Memória: a raiva de Fiori Gigliotti em 1990

Por Rodney Brocanelli

Em janeiro deste ano, publicamos aqui o choro do narrador Fiori Gigliotti, entristecido com a desclassificação da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1986 (veja aqui). Quem pode acompanhar na época esse que já é um grande momento da história do rádio esportivo brasileiro, nem imaginaria que quatro anos depois, na Copa de 1990, a comoção seria substituída pela indignação.

No dia 24 de junho de 1990, o Brasil era desclassificado pela Argentina na fase de oitavas-de-final da competição. O gol foi marcado pelo atacante Caniggia, após receber um passe de Maradona. O lance protagonizado pelo astro argentino foi genial. Ele veio com a bola dominada no meio campo, conseguiu se livrar da marcação de Dunga e, mesmo cercado por pelo menos dois outros marcadores, passou a bola para que seu companheiro saísse livre, de frente para o gol.

Era o fim de uma campanha pífia (para usar uma palavra da moda), uma das piores da história da seleção brasileira em Copas. O futebol apresentado não despertou suspiros durante toda a competição. Muito se diz que esse mau rendimento teve a ver com o fato de o elenco ter ficado insatisfeito com a CBF e sua patrocinadora da época: uma famosa marca de refrigerantes.

O técnico da ocasião era Sebastião Lazaroni. Ele assumiu o cargo, em 1989, pouco depois de Ricardo Texeira ser conduzido à presidência da CBF. Até então sua experiência se restringia ao futebol carioca. Foi campeão estadual do Rio de Janeiro com o Flamengo em 1986  e com o Vasco em 1987 e 1988.

Após um começo claudicante na Copa América de 1989, a seleção brasileira de Lazaroni foi melhorando aos poucos e na fase decisiva da competição enfileirou vitórias importantes contra os principais rivais do continente: Argentina (campeã do mundo na ocasião -2 a 0), Paraguai (3 a 0) e Uruguai (1 a 0). Com este último triunfo, o Brasil conquistou o título sul-americano de seleções, algo que não acontecia desde 1949.

Ainda naquele ano, o Brasil conseguiu vitórias contra adversários tradicionais em amistosos na Europa:  Itália (1 a 0) e Holanda (então campeã da Eurocopa – 1 a 0). Esses bons resultados, credenciaram a seleção canarinho (na época não era pistola) como uma das favoritas ao título.

Entretanto, no ano seguinte, as coisas começaram a dar errado. O rendimento já não era mais o mesmo no primeiro semestre de 1990 e os conflitos internos ajudaram a piorar o que já não estava tão bom.

Voltando ao dia 24 de junho, Fiori Gigliotti narrou aquele Brasil x Argentina pela Rádio Bandeirantes, liderando mais uma vez a Cadeia Verde Amarela (norte/sul do país, como ele costumava dizer nas transmissões). Era a oitava cobertura do locutor da torcida brasileira. Era a terceira desclassificação seguida que ele transmitia. Além da já citada Copa de 1986, no México, Fiori esteve também na Espanha em 1982.

Ao contrário de 1986,  as palavras de Fiori logo após o apito final foram de raiva. O alvo principal foi Lazaroni: “Fecham-se as cortinas e termina o nosso sonho, torcida brasileira. 1 a 0 para a Argentina Para um treinador que tem merda na cabeça, não poderia acontecer outra coisa, torcida brasileira. Ele insistiu e teimou(…) feriu a nossa história, o nosso passado, a nossa tradição, as nossas raízes, colocando um ataque com dois (jogadores), quando não trouxe nem reservas competentes, e aí está: o Brasil fora da copa”.

A bronca de Fiori era em relação ao fato de Lazaroni ter montado uma seleção com três defensores e dois atacantes. Essa formatação tática era bastante popular na Europa, mas devido ao número de homens na defesa, ela foi muito associada ao defensivismo, quando na verdade o esquema nem é necessariamente para um time jogar apenas na defesa.

Sebastião Lazaroni virou a grande referência daquele fracasso de 1990. Fiori nada mais fez do que traduzir em palavras, ainda que duras, todo o descontentamento da torcida brasileira na ocasião. Ouça abaixo o áudio. Agradecimentos especiais a Marcos Sperli Garcia, autor do livro Craques do Microfone e administrador da comunidade de mesmo nome no Facebook (clique aqui).

fiori gigliotti 1990

Memória: ouça Jorge Curi narrando gols do Palmeiras

Por Rodney Brocanelli

No dia 23 de dezembro de 1985, o rádio esportivo perdia Jorge Curi, vítima de um acidente de automóvel, aos 64 anos. Ele estava a caminho de Caxambu (MG), sua cidade natal, após participar da confraternização da equipe esportiva da Super Rádio Tupi. Curi teve uma carreira bastante longeva no rádio, veículo pelo qual atuou desde os anos 1940. Apresentou programas de auditório, entre eles, o mais célebre, A Hora do Pato, um show de calouros da  época. Como narrador, esteve presente em nove edições de copas do mundo.

Vamos relembrar do trabalho de Jorge Curi como narrador esportivo de uma forma diferente, desta vez. Ele fez toda sua carreira na cidade do Rio de Janeiro, transmitindo os grandes feitos dos clubes locais. Entretanto, destacaremos aqui alguns registros de gol deixados por Curi de uma equipe de São Paulo: o Palmeiras. Curioso notar que, havia espaço para ele, um dos principais narradores cariocas, transmitir clássicos regionais de outras localidades na Rádio Nacional.

A lista de gols (ouça no player abaixo) começa com um marcado por Ademir da Guia no dia 04 de novembro de 1964, em um clássico entre Santos e Palmeiras, cujo placar terminou em 3 a 3. Em seguida, um gol do Verdão em uma vitória sobre o São Paulo por 3 a 0, em jogo disputado no dia 19 de maio de 1965. Depois, um tento de Artime, atacante argentino em um triunfo sobre o Vasco por 2 a 1. Todos esses foram narrados por Curi na Rádio Nacional.

Para encerrar, um histórico gol de Jorge Mendonça naquele que seria o “jogão do ano” de 1979, no qual o Palmeiras bateu o Flamengo em pleno Maracanã pelo placar de 4 a 1.

Aliás, Curi era flamenguista assumido, mas o fato de todos soubessem o time pelo qual torcia nunca lhe rendeu problemas do ponto de vista profissional. Ele era reconhecido por narrar os gols dos adversários com a mesma empolgação.

Jorge Curi Palmeiras

Minhas lembranças de Ronald Capita

Por Rodney Brocanelli

18 de março de 2012. Eu estava escalado para comentar a partida entre Comercial x Corinthians pela web rádio Webfutmundi. Léo Campos, hoje na Rádio Itatiaia era o narrador e o Gabriel Araujo, hoje um homem da imprensa escrita, era o repórter. Além de comentar, eu era responsável por alimentar o perfil do Twitter da emissora. Bola rolando, começam a chegar mensagens, entre elas a de um ouvinte que me chamou a atenção. Ele disse depois que estava em tratamento na AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente e queria acompanhar o jogo do seu Timão. No entanto, as televisões do lugar em que estava só captavam a parabólica da Globo, que exibia o jogo do campeonato carioca. Não restou a ele outra alternativa a não ser ouvir o jogo pelo rádio, ou melhor pela web rádio. Por algum tempo, acompanhou a nossa transmissão. Depois, esse ouvinte pediu o contato de MSN, programa de comunicação instantânea que ainda era bastante popular na época. Trocamos o contato e começamos a conversar. Foi assim que eu conheci o Ronald Capita (ouça abaixo).

Aquela transmissão foi bastante acidentada. Nosso sinal acabou caindo e justo no dia em que alguém estava ouvindo. Mas isso não impediu o início de uma bela amizade. Soube um pouco mais sobre sua história de vida. Ronald era portador da Síndrome de Marfan. Em resumo, essa doença faz com que seu portador tenha um crescimento acelerado com o não devido acompanhamento do tronco. Além disso, ele tinha outros problemas de saúde, como uma severa escoliose.

Já naquela ocasião em que nos conhecemos, ele manifestava um grande interesse pelo jornalismo. Muitas de nossas conversas privadas giravam em torno desse assunto. Pedia dicas não apenas sobre texto.  Ele também se interessou pelo universo radiofônico. Era um dos grandes leitores e divulgadores do Radioamantes. Capita também me contava sobre suas internações, consultas e tratamentos de saúde. Outro lado desse relacionamento era mais visível nas redes sociais. Lá o papo era mais descontraído, dentro daquele espírito de “zoeira entre amigos”.

Algo curioso é que o Capita sempre me chamava de tio. Na época da Webfutmundi, por ser um dos mais velhos da equipe, senão o mais velho, a “jovem guarda” formada por então adolescentes (Gabriel, Almir, etc.) acabava por me chamar de vô. Talvez para que eu não me sentisse tão idoso, Capita me promoveu a tio. E assim foi esse tratamento.

Quando eu registrei sua partida lá em meu perfil do Facebook, eu destaquei seu alto astral e bom humor. Essas características não o impediam de ter suas angústias. Capita sofreu preconceito em determinados momentos de sua vida, em manifestações pelas redes sociais. O apoio dos amigos (que não eram poucos) nessas ocasiões foi determinante para ajudá-lo a superar esses episódios. O rádio também ajudou bastante a ele. Ainda trabalhando na Rádio Globo, Guilherme Cimatti fez uma bela crônica que emocionou aos ouvintes (ouça aqui).

Capita deu a volta por cima e calou seus críticos ao se transformar em uma referência nas questões de acessibilidade nos estádios de futebol. Ele era um frequentador assíduo dos jogos do Flamengo, de Guarulhos, que disputa as divisões de acesso das competições organizadas pela Federação Paulista de Futebol. Suas experiências eram compartilhadas em sites como o Torcedores e em suas redes sociais. Veículos como a CBN também deram destaque a esse seu lado ativista (veja aqui).

Não demorou muito para que Capita chegasse à televisão, sendo personagem em reportagens de diversos programas esportivos. O Esporte Fantástico, da Record, foi fantástico (com o perdão da redundância) ao procurar destacar seu lado jornalista e levá-lo para uma fazer uma matéria com os jogadores que integravam o elenco do Santos, em 2016. A cumplicidade de atletas como Ricardo Oliveira e Lucas Lima colaborou para o belo resultado (veja aqui).

Seu coração de torcedor batia mais forte pelo Corinthians. E ele se aproximou bastante das equipes de categorias de base. Acabou se transformando em um mascote do time que disputou a final da Copa São Paulo, em 2017. Sua relação com o técnico Osmar Loss colaborou bastante para isso. O que era para ser um dia de alegria quase foi estragado devido a postura de um motorista de Uber. Capita relatou esses momentos em um texto para o Torcedores (clique aqui).

Nos últimos anos, os problemas de saúde de Capita foram se agravando. Apesar deles, estava pensando em projetos para falar de pessoas com necessidades especiais. Um que conseguiu iniciar foi o perfil Eficientes, nas redes sociais, que alimentou até quando pode. Queria muito também lançar uma web rádio. Ele me procurou na metade deste ano pedindo dicas para equipamentos e locais de venda pela Internet. Nesse meio tempo, ficávamos trocando stickers pelo Whatsapp.

Minhas últimas conversas com Capita tiveram a ver com rádio e o Radioamantes. Em outubro, dirigentes de futebol anunciaram a possibilidade de cobrar diretos das emissoras de rádio para a transmissão de partidas de futebol nacional. Eu fiz uma ampla cobertura aqui no blog e ele se interessou pelo tema. Trocamos muitas informações sobre o assunto e sempre o mantive atualizado. No final daquele mês, a CBF se reuniu com dirigentes de importantes associações de cronistas esportivos e anunciou de forma oficial que não iria chancelar essa iniciativa (saiba mais aqui).

Mandei o link com a notícia e sua resposta foi “Grande dia”, acompanhada do sinal de positivo. Foi a última mensagem escrita dele para mim. Depois mandei mais alguns memes e stickers, mas sem resposta. Tomei conhecimento de sua internação. Guto Ablas, amigo com passagem pelas rádios Capital, Tropical e Bradesco Esportes, foi quem me avisou de sua morte pelo Whatsapp na quinta (28). O Portal dos Jornalistas informa que as causas foram pneumonia e infecção urinária (clique aqui). Tinha 20 anos. E aliás, fico feliz com esse registro feito por um site de jornalistas. Mesmo não tendo tempo de chegar à faculdade, Capita era um dos nossos

Como escrevi no Facebook, por diversas questões que agora não cabem aqui neste texto-homenagem, não sou daqueles que consideram a morte um fim. No entanto, eu estou bem triste por não ter mais a possibilidade de conviver com ele. Vou sentir falta dos papos, das zoeiras, vou sentir falta desse sobrinho postiço. Fica aquela sensação de ter feito mais, ter estado mais próximo e acho que nesse ponto, a sua partida, vai ser muito didática para mim.

Eu sei que o Capita em todos esses anos se aproximou de muita gente boa do jornalismo, fora dele, e fez amizades e parcerias importantíssimas. Creio que de certa forma esses contatos o ajudaram a ser feliz. Ou então, se não totalmente feliz, creio toda essa energia emanada pelos amigos ajudou a tornar sua vida mais suportável.

Encerro este post com Learning do Fly, de Tom Petty. É isso aí, Capita. Agora você está aprendendo a voar, mesmo que sem asas. A descida é a parte mais difícil, mas você pega o jeito. E Deus sabe onde você está. E sei que pretendo agora fazer de todos os meus dias um grande dia. Obrigado. Seu tio postiço vai sentir sua falta.

Ronald Capita

Memória: relembre Hugo Botelho narrando na Bandeirantes em 2005

Por Rodney Brocanelli

Em 2005, a Rádio Bandeirantes vivia um momento de transição da sua equipe esportiva, com as saída de diversos profissionais que foram para outras emissoras. O narrador Dirceu Maravilha foi um deles. Ele se transferiu para a Rádio Record, que tinha um departamento de esportes ativo. Nesse período, a Bandeirantes usou bastantes os profissionais que já estavam na casa, José Silvério e José Maia, enquanto que Odinei Edson, a voz da Fórmula 1, narrou alguns jogos de futebol.

Nesse meio tempo, a Bandeirantes convidou Hugo Botelho para transmitir uma partida do campeonato brasileiro daquele ano.  E a partida não poderia ser melhor para um narrador: um empate por 3 a 3 entre o Atlético-PR (vamos respeitar a grafia da época) e o Santos, então líder do campeonato brasileiro daquele ano. O então meia santista Ricardinho (hoje comentarista no Sportv) foi destaque da partida, marcando os três gols de sua equipe. O alvinegro esteve na frente do placar em duas ocasiões, mas acabou por ceder a igualdade no placar (saiba mais sobre esse jogo, clicando aqui)

Outro destaque daquele confronto foi o atacante Schumacher, do Atlético-PR, autor de um dos gols da sua equipe. A transmissão da Bandeirantes explorou bastante o fato dele ser homônimo de Michael Schumacher, piloto profissional de Fórmula 1, que vivia o auge da sua carreira, pilotando um carro da Ferrari.

Estevan Ciccone foi o repórter daquela transmissão. Ao contrário do que acontece hoje em dia no rádio esportivo, ele esteve na Arena da Baixada. Não foi possível recuperar o comentarista que foi escalado naquela transmissão (quem souber, pode deixar mensagem no sistema de comentários).

Pouco tempo depois, a Bandeirantes contrataria o narrador Ulisses Costa, que até então estava na Rádio Globo

Hugo Botelho, por sua vez, acabou acertando com a 105 FM, emissora na qual ocupou ocupando de narrador titular. Ele, no entanto, voltaria a narrar jogos na emissora por ocasião da Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, “emprestado” pela 105 FM.

Em 2012, Botelho iria tomar parte de um importante projeto do Grupo Bandeirantes que foi a Rádio Bradesco Esportes FM. Ficou na emissora até agosto de 2013. Depois, narrou jogos pela Rádio Estadão/ESPN. Com o fim do projeto de rádio  da ESPN, ficou apenas no canal de tv por assinatura, onde está até hoje. Nesse meio tempo, integrou equipes das rádios Capital e Bandeirantes, de Campinas.

Atenção: no registro abaixo, temos apenas os cinco primeiros gols da partida.  Não temos o gol de empate do Atlético-PR.

Hugo Botelho na Bandeirantes

Memória: relembre a Rádio Camanducaia na Bandeirantes, em 2010

Por Rodney Brocanelli

Em 2009, a edição de quarta-feira do Terceiro Tempo (que sempre avançava até a alta madrugada da quinta), comandada por Milton Neves passou a reapresentar alguns aúdios com esquetes da Rádio Camanducaia, genial criação de Odayr Baptista, que foram veiculados pela Rádio Bandeirantes, dentro do Show de Rádio na segunda passagem do programa, entre os anos de 1996 e 1997. A repercussão junto aos ouvintes foi tão boa que no ano seguinte, Baptista recebeu um convite para produzir quadros novos, que foram veiculados dentro do Domingo Esportivo Bandeirantes, apresentado também por Neves.

Para quem não lembra, Odayr Baptista criou a Rádio Camanducaia na década de 1970 quando ele integrou a equipe do Show de Rádio, que na época era apresentado pela Rádio Jovem Pan.

A emissora metalinguística era uma paródia a muitas emissoras de rádio do interior e as dificuldades que elas enfrentam para sobreviver. Outra característica marcante eram os trocadilhos referentes aos fictícios estabelecimentos comerciais que são os patrocinadores da emissora. Talvez não fosse algo consciente, mas a Camanducaia também era um retrato bem-humorado da vida do interior.

Um dos principais nomes da Camanducaia era o locutor Alberto Júnior, que com sua voz grave lia os testemunhais e anúncios e era um pouco atrapalhado. A estação tinha um narrador esportivo chamado Alberto Neto, que sempre ia  para o estádio errado a fim de irradiar uma partida de futebol. O quadro teve grande aceitação junto aos ouvintes e fez história no rádio paulistano.

Odyar Bapitsta morreu em julho de 2019, aos 83 anos.  Saiba mais sobre ele clicando aqui.

O Radioamantes recupera dois quadros que foram apresentados naquela época e que podem ser ouvidos nos players abaixo.

Odayr Baptista