Morreu neste domingo (24) o narrador esportivo Roberto Queiroz. Ele acompanhou durante anos as principais conquistas dos times pernambucanos: Sport, Santa Cruz e Náutico. Conhecido como o Garganta de Aço, por muitos anos ele foi o principal nome da Rádio Jornal. Iniciou sua carreira na cidade de Caruaru e trabalhou também nas rádios Clube e CBN. Segundo o jornal O Dia, um de seus sobrinhos informou que a causa da morte foi um câncer. O sepultamento aconteceu nesta segunda. Tinha 71 anos.
Ouça abaixo a narração de Roberto Queiroz para o título nacional do Sport em 1987.
Ouça também a narração de Queiroz para o titulo do Sport da Copa do Brasil em 2008.
Roberto Queiroz narra o título estadual do Naútico em 2021.
Ouça a narração do título da série C conquistado pelo Santa Cruz em 2013.
Sérgio Boaz, um de seus nomes mais tradicionais do rádio de Porto Alegre, anunciou via Twitter que vai deixar o veículo. “Foram 37 anos de um mundo mágico”, escreveu. Desde março de 2018, Boaz estava na Rádio Bandeirantes, onde apresentava o Atualidades Esportivas – 2ª edição e narrava jogos da dupla Grenal. Anteriormente, o profissional teve uma longa trajetória de sucesso na Rádio Gaúcha, onde ficou por 31 anos. Em sua mensagem, ele deixa no ar que deverá continuar suas atividades no mundo da comunicação.
Gostaria de agradecer as mensagens carinhosas que recebi e sigo recebendo de amigos, irmãos e parceiros que marcaram minha trajetória que se encerrou no rádio. Foram 37 anos de um mundo mágico. Conheci lugares, culturas, pessoas , ri, chorei e venci. Conto com vcs no que vem aí!
No último domingo (24), Boaz narrou a vitória do Palmeiras sobre o Internacional pelo placar de 2 a 1, em partida válida pelo campeonato brasileiro de 2022. Ouça os gols abaixo.
Um painel com o logotipo da Rádio Guaíba caiu durante a edição do programa Ganhando o Jogo desta segunda (18). O incidente, que não teve grande maiores consequências, aconteceu no Estúdio Cristal, panorâmico, que permite a observação dos pedestres que passam pela Esquina da Comunicação, em Porto Alegre.
Durante o debate, Ana Aguiar e Luís Magno perceberam que havia algo de errado com painel. Ambos conseguiram, cada um a seu modo, amortizar a queda. Cristiano Silva e Cristiano Oliveira riram muito. Carlos Guimarães seguiu com sua tese. Em seguida, Oliveira colocou o painel de lado. Veja tudo no vídeo abaixo.
Em 2019, um outro incidente deste tipo aconteceu no estúdio principal da Guaíba, com a então apresentadora Ananda Muller (clique abaixo).
Odilon Junior, narrador da Super Rádio Tupi, morreu nesta segunda (18). Ele lutava contra um câncer no cérebro havia cinco anos. A informação foi divulgada pela própria emissora em sua programação. No último mês de fevereiro, Odilon teve de se afastar dos microfones para dar segmento a seu tratamento. Nunca mais retornou. Tinha 39 anos. Até o momento da publicação deste post, não foram divulgadas informações sobre velório e enterro.
Conforme o site da Tupi, o locutor iniciou sua carreira na rádio 107 FM, em Petrópolis. Na Rádio Grande Rio, narrou seus primeiros jogos. Teve passem pela Rádio Tropical nos início dos 2000 até se transferir para a Tupi, em primeira passagem, onde atuou como repórter e narrador, a partir de 2011.
Sua última transmissão pela Tupi aconteceu em fevereiro, na partida entre Botafogo x Vasco, válida pelo campeonato carioca e disputada na cidade de São Luís. O Fogão saiu deste confronto com a vitória pelo placar de 1 a 0, gol de Erison. Acompanhe abaixo.
Em vídeo postado em suas redes sociais, Wanderley Nogueira afirmou que a questão da venda de direitos de transmissão das partidas de futebol para as emissoras de rádio não é apenas uma questão financeira que vise o lucro para os clubes de futebol.
Para o jornalista da Rádio Jovem Pan, a intenção é outra, no sentido de diminuir o tom e o volume das críticas feitas por parte dos profissionais seja nos programas ou jornadas esportivas. “Tem muito mais atrás da intenção de gerar receitas para os clubes de futebol”, falou.
“O valor que seria arrecadado no volume, no Brasil, é irrisório para os clubes. E para as emissoras, qualquer valor seria relevante. Aliás, muitas não teriam condições de prosseguir com as transmissões. Outras teriam que promover um enxugamento. Aliás, mais um”, disse o jornalista.
Para Wanderley, os dirigentes de futebol entendem que com essa medida, o volume (e mesmo o tom) de críticas por parte dos profissionais de rádio iria diminuir sensivelmente. “Com o temor que o clube, ou clubes decidam não vender para uma emissora considerada, digamos, crítica demais, os cartolas esperam análises mais mansas”, explicou (veja mais aqui).
O jornalista considera que a política de preços possa variar de acordo com o veículo: “Pela linha editorial, para a Rádio A um preço, para a Rádio Z, outro”.
Entenda o caso
Na semana passada, a Câmara dos Deputados aprovou a Lei Geral do Esporte, que na prática é uma atualização da antiga Lei Pelé e também serve para consolidar outras leis que tratam do tema esporte.
Entretanto, dois de seus artigos, o 159 e o 160 poderão ser danosos para o rádio esportivo. Em resumo, eles permitem a cobrança de direitos de qualquer evento em caráter nacional, independente da modalidade, para a transmissão em áudio.
O resultado mais prático se dá nas transmissões de futebol, objeto prioritário da cobertura da emissoras. Mas o “pagar para transmitir” poderá se estender a outros esportes como futsal, vôlei e basquete, por exemplo.
Como ocorreram alterações no texto por parte da Câmara, a Lei Geral do Esporte deverá ir para o Senado Federal. Na verdade, trata-se de um retorno, uma vez que o projeto já havia sido discutido por lá. Não há uma previsão de quando os nobres senadores deverão se debruçar novamente sobre o tema.
Associações de cronistas esportivos já se mobilizaram para convencer os senadores a não aprovar a lei com esses dois artigos (saiba mais aqui).
Após submeter-se a um cateterismo, José Carlos Araújo promete estar de volta aos microfones já neste final de semana. Em uma postagem feita em suas redes sociais, o narrador agradeceu aos médicos do Hospital da Unimed e as mensagens de apoio dos fãs que chegaram desde a informação de que iria passar pelo procedimento (veja clicando aqui).
A ACEESP (Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo), em conjunto com a ACEB (associação dos Cronistas Esportivos do Brasil) deram ontem mais um passo importante na luta contra o projeto de lei que propõe a cobrança dos direitos de transmissão de eventos esportivos para as emissoras de rádio, como já ocorre em alguns casos com as emissoras de televisão. Os presidentes das duas entidades, os jornalistas Nelson Nunes (ACEESP) e Erick Castelhero (ACEB), estiveram reunidos na manhã desta terça-feira (12 de julho) com a assessoria da senadora Mara Gabrilli (PSDB-SP), no gabinete da parlamentar na capital paulista.
Preocupados com os efeitos negativos da aprovação do PL 1153/19, de autoria do deputado Felipe Carreras (PSB-PE, no dia 7 de julho, na Câmara dos Deputados, os dois representantes da crônica esportiva foram recebidos pela chefe de gabinete, Telma Charbel, e pelo assessor parlamentar/imprensa, Ricardo Vendramel. No encontro, pediram apoio da senadora paulista para que a proposta não prospere no âmbito do Senado, onde o tema nem sequer havia sido debatido nas discussões da revisão da Lei geral do Esporte. Além desse tema, também foi mostrada a importância de o Senado manter a redação do PLS 68/2017, sob relatoria da senadora Leila Barros, que trata da questão do credenciamento dos jornalistas esportivos em eventos realizados no Brasil.
ACEESP e ACEB estão empenhadas em atuar contra essas alterações na lei, que trarão impacto negativo ao já ameaçado mercado de trabalho dos cronistas esportivos em todo o País. “A proposta de cobrança de direitos de transmissão para as rádios é inapropriada, inoportuna e injusta. O esporte brasileiro, em especial o futebol, chegou ao nível de profissionalismo que tem hoje fundamentalmente ao apoio e divulgação históricos recebido dos veículos de imprensa, sobretudo o rádio”, argumenta Nélson Nunes, presidente da ACEESP. “Essa é uma medida antidemocrática. Rádio é um dos poucos veículos de grande alcance no país que leva informação de forma gratuita à população. Também causa enorme preocupação com os postos de trabalho, que ficaram ainda mais ameaçados. Lutamos para que isso não avance”, completa Erick Castelhero, presidente da ACEB.
O narrador José Carlos Araújo terá que se afastar do rádio por tempo indeterminado para cuidar da saúde. Em post divulgado hoje (11), o Garotinho informou que vai passar um cateterismo, procedimento previsto para acontecer ainda na tarde desta segunda-feira. Com isso, ele deixa de fazer suas participações regulares na Super Rádio Tupi, narrando jogos de futebol, e na filial carioca da Nova Brasil FM, onde apresenta um programa matinal. Não há previsão imediata para retorno.
Ontem, Zé Carlos narrou normalmente todas as emoções da vitória do Corinthians sobre o Flamengo pelo placar de 1 a 0.
Bom dia, galera! Vou passar por um cateterismo hoje à tarde com o Dr César Medeiros. Por esse motivo, não estarei presente no Resenha Nova e na transmissão de Cruzeiro e Fluminense. Qualquer novidade, informo vocês através das minhas redes sociais. Abraço, galera ❤️ pic.twitter.com/J7ZakLB5Kp
A partir desta segunda-feira (11), ouvintes da Gaúcha poderão acompanhar o novo formato do Correspondente Gaúcha. Agora com o patrocínio da Resfri Ar, a maior fabricante de climatizadores e geladeiras automotivas do país, o programa passa a ter dois apresentadores, ganhando mais dinamismo e agilidade.
Pela manhã, a edição segue sob o comando do comunicador Pedro Quintana e locução conjunta com Maikio Guimarães. A tarde será de Marcela Panke e Ramon Nunes. Lançado há 56 anos, o Correspondente é um dos formatos mais tradicionais da rádio. São noticiários diários, responsáveis por apresentar tudo o que de mais importante ocorreu em política, economia, polícia, mundo, esporte, entre outras áreas.
As edições serão de segunda a sexta, às 8h, 12h50 e 18h50, e aos sábados e domingos, às 12h50.
O jornalista Carlos Guimarães, comentarista e coordenador de esportes da Rádio Guaíba, de Porto Alegre, publicou na semana passada um importante artigo sobre os possíveis impactos da nova Lei Geral do Esporte para o rádio esportivo. Além de viver o dia-a-dia do veículo, Guimarães também é bastante ativo no meio acadêmico: ele é doutorando em Comunicação, tem mestrado em Comunicação e Informação e especialização em Jornalismo Esportivo.
Guima, como é conhecido, acha que não será desta vez que o rádio deverá pagar para transmitir partidas de futebol ou de qualquer outro esporte. “Entretanto, estamos na contagem regressiva para que isto aconteça”, afimra.
O texto é bastante feliz ao incluir essa medida dentro do processo de elitização do futebol brasileiro, simbolizado pela construção das novas arenas, febre que se iniciou na esteira da nomeação do Brasil como sede da Copa do Mundo em 2014.
Em seguida, Guimarães escreve, em resumo, que o rádio não se modernizou: “Com tanto tempo de existência, da mesma forma que o rádio consolidou uma popularidade, ele não se renovou. Apegou-se numa tradição em que parece feio ou moderninho demais buscar algo novo nesse meio”.
Esse apego, conforme o jornalista, vem dos próprios profissionais: “O rádio rejeita o moderninho porque ele tem um limite para se renovar. É como se a tradição compusesse o seu ethos, a sua razão de existir. Vou dar um exemplo disso. Convivo com pesquisadores e radialistas cotidianamente. Sabe o que mais encanta os meus colegas? A narração de um gol em 1975, uma cobertura internacional de 1968, uma entrevista de 1982, uma vinheta de 1991. O rádio, quando olha para si, olha para trás, nunca para a frente”.
Aqui reside a primeira discordância. Quando se olha para o passado do rádio, isso nada mais é que uma forma de chamar a atenção para as novas gerações que o veículo fazia questão de estar presente em todos os acontecimentos. Quando se cultua a narração de um gol de 1975, é porque certamente narrador, repórter e comentarista estavam no estádio, independente da distância.
O mesmo vale para a cobertura internacional de 1968. O rádio marcava sua presença. Não se fazia uma cobertura à distância, algo que é muito comum nos dias de hoje.
A Rádio Guaíba tem um excelente programa de resgate de sua memória chamado Arquivo Guaíba. Pelo menos duas de suas edições trouxeram exemplos ricos disso, protagonizados pelo jornalista Flavio Alcaraz Gomes.
Em 1969, Gomes esteve em Cabo Canaveral para informar em tempo real sobre a partida da missão Apolo XI, famosa por colocar o homem na lua. Anos mais tarde, o mesmo profissional foi deslocado para o Oriente Médio a fim de acompanhar o conflito (mais um) entre árabes e israelenses naquela que ficou conhecida como a Guerra do Yon Kippur.
Reiterando: quando se cultua os grandes feitos do rádio, isso não quer dizer que seja um apego excessivo ao passado, aquele saudosismo do tipo “na minha época que era melhor”. É uma forma de mostrar o que o rádio já fez. Além disso, é um recado para chamar a atenção de que o veículo pode prosseguir fazendo isso, basta que existam recursos (abordo isso daqui a pouco).
Guima fala muito da linguagem do podcast, mas que na verdade ele nada mais é que um programa de rádio, divulgado em uma outra plataforma. O texto cita o recente sucesso do podcast A Casa da Mulher Abandonada, divulgado pelo jornal (ironia, não?) Folha de S. Paulo. Fica a pergunta: por que nenhuma rádio resolve investir nessa ideia?
Algumas respostas. Primeira é porque ela demanda tempo e na atual configuração das redações de rádio não existem recursos humanos disponíveis para investir em reportagens que deem um certo tipo de trabalho e cuja base não seja apenas feita de entrevistas por telefone ou outros meios. Depois, temos a questão do custo. Se render algum gasto que seja com combustível, por exemplo, a ideia é deixada de lado.
Outro ponto abordado por Gumarães é a linguagem da jornada esportiva. Ele destaca que houve uma evolução ao longos dos anos, apontando que as transmissões de hoje são melhores do que há 50 anos. Ela é “mais humana, menos robotizada, menos engessada, mais coloquial, mais conversada, mais próxima ao ouvinte”. Sem contestações quanto a isso, entretanto, hoje em dia ela é mais afastada das próprias partidas de futebol. Hoje em dia é muito comum a transmissão off tube, em que narrador, comentarista e repórter estão olhando o jogo na tela da tv em vez de ter a visão do estádio. Guma até fala sobre isso, mas como consequência, sem analisar de forma mais profunda a causa.
Vou dar um exemplo pessoal. Entre os anos 1980 e 1990, quando eu abaixava o som da tevê e aumentava o do rádio, eu estava em busca de algo que a imagem não me mostrasse. E digo que em 99% eu conseguia ter isso como consumidor, graças ao talento de profissionais como José Silvério, Wanderley Nogueira, entre tantos outros. Hoje é algo mais difícil de se conseguir devido a questões técnicas, mas ainda é possível.
Guima não esquece da precarização do rádio esportivo: “(…) reduziu-se o efetivo das redações com o profissional multimídia, aquele que cobra o escanteio e chega à área para cabecear. Menos gente fazendo mais coisas pelo mesmo salário. A baixa remuneração também impactou na qualidade dos profissionais. É mais fácil optar por uma outra atividade do que permanecer no rádio, ainda que se tenha paixão pelo meio. A prioridade da vida é pagar os boletos em dia”.
E aí surge a grande pergunta que eu me fiz a partir da leitura do texto: será que estaríamos falando de tudo isso caso as verbas de publicidade não fossem tão ínfimas para o meio rádio? Na última sexta-feira, Nando Gross disse ao podcast Dus 2 que o maior problema do rádio hoje é a questão financeira. “A verba sumiu”, disse ele. “Não temos mais os patrocinadores de R$ 100 mil por mês, como tínhamos nas jornadas. Isso acabou”, completou. (veja aqui). Gross fala com conhecimento de causa, de quem já foi gerente da Rádio Guaíba entre 2014 e 2020.
O rádio até que tem dado alguns passos no sentido de atrair mais verbas. Para isso, a Internet é usada como uma aliada fundamental. O que era antes um programa apenas sonoro, hoje virou visual. E os departamentos de publicidade esperam aquele filme (ainda se diz filme?) de 30 segundos para enriquecer o intervalo da live.
Como diz a letra de Rock Europeu, hit da banda Fellini, um dos expoentes do rock independente brasileiro dos anos 1980: “tudo foi sempre uma mera questão de dinheiro”.
Para quem quiser ler na íntegra o instigante texto de Carlos Guimarães, basta clicar no link abaixo.
A ACEB (Associação de Cronistas Esportivos do Brasil) divulgou na tarde desta sexta (08) um manifesto acerca dos artigos da Lei Geral do Esporte que poderão causar problemas às emissoras de rádio e também a grande parte da crônica esportiva, com a cobrança de direitos pelas partidas de futebol e até mesmo outros esportes, conforme informou o Radioamantes.
Além da questão da cobrança de direitos de transmissão das partidas de futebol por parte das rádios, o texto da entidade aponta que houve uma alteração na questão do credenciamento de imprensa.
O texto original da Lei previa que profissionais credenciados pelas associações de cronistas esportivos teriam acesso a pelo menos 80% dos locais liberados pelas praças de esportes à imprensa. Segundo a ACEB, esse trecho havia sido discutido com todos os segmentos da sociedade, incluindo a própria entidade. Entretanto, o substitutivo aprovado nessa semana pela Câmara passa essa responsabilidade exclusivamente as entidades organizadoras de cada competição. Não foi informado como e quando ocorreu essa alteração no texto.
Com relação a questão da cobrança de direitos, a ACEB pede que todas as distorções sejam corrigidas e aquilo que ela chama de aberrações não entre no texto final da lei. “Por todo o denso trabalho realizado pelos senadores ao longo dos últimos anos, ouvindo todos os segmentos e discutindo cada artigo com as entidades competentes, as mudanças realizadas pela Câmara Federal não podem ser admitidas no texto final da nova Lei Geral do Esporte. A crônica esportiva brasileira e as emissoras rádio de todo o país confiam no trabalho e na coerência dos nobres senadores”, completa o texto.
O blog Radioamantes apurou que as entidades de cronistas esportivos tanto no âmbito nacional como regional estão buscando apoio político para que os itens danosos à classe sejam barrados.
No último dia 06, a Câmara dos Deputados aprovou a Lei Geral do Esporte, que serviria para atualizar a Lei Pelé, que versa sobre o esporte e consolida outras lei que tratam sobre o tema. No entanto, dois artigos, o 159 e 160, poderão ser prejudiciais ao rádio esportivo. Eles possibilitam a cobrança de direitos para a transmissão em áudio.
Na sessão em que foi aprovada a lei, o deputado Victor Mendes (MDB-MA) fez um alerta: “estamos sacrificando a radiodifusão”. E complementou: “acabamos de onerar mais ainda a radiodifusão no País”.
A Lei Geral do Esporte volta ao Senado para tramitação e novas discussões. Caso seja aprovada com esses artigos, o mercado de trabalho, já complicado, poderá ficar cada vez mais comprometido. Nem todas as emissoras terão condições de pagar pelos direitos por valores que não deverão ser simbólicos, como já aconteceu em 2008, quando o então Atlético-PR teve essa iniciativa (veja link abaixo).
O rádio esportivo, como o conhecemos, está sob risco mais uma vez. A Lei Geral do Esporte, aprovada ontem na Câmara dos Deputados, tem dois artigos que caso sejam sancionados poderão fazer com que emissoras de rádio paguem para transmitir partidas de futebol. Durante a votação, o deputado Victor Mendes (MDB-BA) chamou a atenção para o fato: “lamentamos o que nós acabamos de fazer. Acabamos de votar um projeto tão importante, que esse projeto de atualização da lei do esporte, mas estamos sacrificando a radiodifusão. No texto que acabamos de votar, no art. 159 e 160, os programa (sic) de rádio passarão a ser cobrados pela transmissão dos eventos esportivos. Nós acabamos de onerar mais ainda a radiodifusão no País” (veja abaixo o vídeo).
Eis o que diz os artigos:
Art. 159. A difusão de imagens e/ou sons captadas em eventos esportivos é passível de exploração comercial. Parágrafo único. Os dados estatísticos decorrentes das partidas disputadas em competições integram o rol de direitos comerciais e, portanto, pertencem integral e exclusivamente às respectivas entidades de administração do desporto. Art. 160. Pertence às organizações esportivas mandantes que se dedicam à prática esportiva em competições o direito de exploração e comercialização de difusão de imagens e/ou sons, consistente na prerrogativa privativa de negociar, autorizar ou proibir a captação, a fixação, a emissão, a transmissão, a retransmissão ou a reprodução de imagens, por qualquer meio ou processo, de evento esportivo de que participem.
Em outro trecho de sua fala, Mendes fez até uma autocrítica: “votamos muito rapidamente, sem, talvez, ter conhecimento do substitutivo”.
A grande ironia lembrada pelo deputado é que o ano de 2022 marca a comemoração oficial dos 100 anos da primeira transmissão radiofônica no país. Um presente de aniversário bem indigesto, como disse o deputado Victor Mendes: “nós demos um presente de grego: mais uma cobrança na radiodifusão agora, com esse texto que acabamos de aprovar. Antes, somente a TV pagava por transmissão; agora, a rádio vai pagar também, graças ao relatório apresentado e à nossa votação”.
O narrador esportivo e jornalista paranaense Gabriel Carriconde alertou em suas redes sociais para o que poderá acontecer caso a Lei Geral do Esporte com seja aprovada com esses artigos específicos: “se essa medida passar, é o fim da latinha”.
Carriconde avança: “e qual é o nível de gravidade disso? Onerar de vez um meio de comunicação que não te cobra nada para transmitir partidas que muitas vezes, só pagando para ver. Enfraquece a imprensa esportiva, e prioriza a rádio dos clubes”.
Conforme a Agência Câmara de Notícias, a foi aprovada na forma do substitutivo do relator, deputado Felipe Carreras (PSB-PE), para o Projeto de Lei 1153/19. A proposta teve origem no Senado e retornará para nova votação dos senadores, ainda sem data definida.
O que resta agora é que as associações de cronistas esportivos e a Abert se mobilizem novamente para tentar derrubar esses artigos, tal como já aconteceu quando a ideia de se cobrar das rádios foi levantada por cartolas do futebol em 2019 (saiba mais aqui).
Ontem, ao alterar dispositivos da Lei Pelé, a Câmara esfaqueou pelas costas o nosso tradicional e querido rádio esportivo. Aprovaram um artigo que praticamente abre espaço para que os clubes cobrem das rádios direitos de transmissão. Se essa medida passar, é o fim da latinha. pic.twitter.com/LvoP4M2t1g
— Gabriel Carriconde (@gabrielcarricon) July 7, 2022
Héverton Guimarães é o mais novo reforço da Rádio Itatiaia, de Belo Horizonte. Sua apresentação ocorreu no final de tarde desta quarta (06) durante o tradicionalíssimo Turma do Bate Bola (veja abaixo). Aliás, será neste programa uma das participações fixas de Héverton. A outra será no Bastidores (diário, das 20h às 21h), além de outras participações na programação da emissora. Tudo isso sem prejuízo da atuação do comunicador na televisão, onde ele aparece em rede nacional no Jogo Aberto, da TV Bandeirantes.
Antes vendedor de café, Héverton chegou a conciliar a carreira no comércio com o rádio. Ele foi repórter da Rádio Minas, de Divinópolis. Depois se transferiu para o Grupo Bandeirantes em Minas, atuando na versão local da Bradesco Esportes FM, que se chamava Esportes FM. Com o fim prematuro deste projeto, passou para a Band News, em Belo Horizonte, destacando-se na narração de jogos tanto do Atlético-MG como do Cruzeiro. Héverton pegou um bom momento desta dupla, com o título da Libertadores conquistado pelo Galo em 2012 e o nacional da Raposa em 2013.
Não demorou muito para que Héverton passasse a aparecer na televisão, ainda na Bandeirantes. Recentemente, em rádio, ele esteve na 98 FM, de BH.
Sob nova direção, a Itatiaia tem investido muito em profissionais. Nos últimos meses já contratou nomes de peso como os narradores Hugo Sergio e Osvaldo Reis, o Pequetito.
O dia 5 de julho marcou uma das datas mais tristes na história da seleção brasileira de futebol. Jogando no estádio Sarriá, em Barcelona, os comandados de Telê Santana perdiam para a Itália pelo placar de 3 a 2 e davam adeus à Copa que no ano de 1982 era disputada na Espanha. Mesmo com as conquistas de 1994 e 2002, torcedores e jornalistas se perguntam até hoje sobre o que deu errado naquele dia. Bastava apenas um empate para que o Brasil chegasse às semifinais. Mas a Squadra Azurra apareceu pelo caminho. Além de adiar o sonho da conquista do título mundial, aquele resultado serviu para sepultar de vez a prática do futebol arte. Desde então, tivemos apenas alguns lampejos que apareciam de forma individual, graças ao talento de Romário e Ronaldo, cada um em sua época.
O blog Radioamantes leva você de volta ao dia 5 de julho de 1982. A nossa máquina do tempo é o rádio.
O quinto sinal da Rádio Bandeirantes marcava pontualmente 12h15, 16h15, horário local. Fiori Gigliotti anuncia o início da partida.
Para espanto geral, a Itáia saia na frente, logo aos 4 minutos de partida. Defesa brasileira vacilou. Paolo Rossi marcava, de cabeça. José Silvério estava na Jovem Pan.
A resposta brasileira não tardou. Sócrates recebeu um belo lançamento de Zico e avançou até entrar na área. O goleiro Dino Zoff tentou fechar o ângulo. Mas o Doutor, com o sangue frio que lhe era pecuilar, mandou para o gol. Osmar Santos narrou esse lance na Rádio Globo.
Mas Paolo Rossi se aproveitava mais uma vez de uma falha da defesa brasileira para marcar o segundo gol da Itália. O lance pegou muita gente desprevenida. José Silvério narrou esse lance na Jovem Pan.
No segundo tempo, o Brasil veio com tudo para tentar ao menos o empate. Falcão, na época o Rei de Roma, mandou um belo chute de média distância. E um detalhe que a televisão não mostrou: Cerezo, um dos responsáveis pelo lance que originou o segundo gol da Itália, chorou de emoção. José Silvério observou bem esse detalhe na Pan.
Armindo Antônio Ranzolin traduziu na Rádio Guaíba todo o orgulho pelo gol do “compatriota” Falcão.
E mais: a emoção de Willy Gonser, enaltecendo o corta luz de Cerezo, pela Rádio Itatiaia.
Mas aquela não era a tarde do Brasil. Em um escanteio aparentemente inofensivo, a Itália chegaria ao seu terceiro gol. Mais uma vez, Paolo Rossi. Flávio Araújo, então na Rádio Gazeta (SP) não escondeu a decepção.
Na Rádio Nacional, o garotinho ligeiro José Carlos Araújo ficou de queixo caído com o gol de Rossi.
O Brasil quase conseguiu o empate em uma cabeçada do zagueiro Oscar. O goleiro Dino Zoff operou um verdadeiro milagre. José Carlos Araújo, na Rádio Nacional, viu essa bola no gol.
Não teve jeito para o Brasil. O árbitro israelense (o Wikipedia diz que ele tem também nacionalidade romena) Abraham Klein apitou o fim de jogo. A perplexidade tomava conta da torcida brasileira. Fiori Gigliotti traduzia bem esse sentimento na Rádio Bandeirantes.
Passado o impacto da derrota, nada melhor que uma avaliação fria para se concluir em que a seleção brasileira errou. Eis a palavra de João Saldanha, então na Rádio Tupi. A metáfora do macaquinho é impagável.
(*) post atualizado e republicado. O original foi divulgado há dez anos (veja aqui). Estamos mesmo ficando velhos.
A história é relativamente conhecida nos bastidores da comunicação, mas vale a pena ser contatada novamente, uma vez que ela está completando 40 anos. A TV Record, ainda de propriedade de Paulo Machado de Carvalho, não conseguiu transmitir a Copa do Mundo, de 1982, disputada na Espanha. No entanto, uma saída simples e criativa conseguiu atrair uma grande parcela da audiência, utilizando o rádio.
No início da década de 1980, Silvio Luiz era um fenômeno. As transmissões de futebol comandadas por ele na TV Record gozavam de bastante prestígio entre anunciantes e, principalmente, telespectadores, causando assim alguns arranhões na audiência da hegemônica TV Globo.
Para a Copa de 1982, havia uma grande expectativa para um novo confronto entre as duas emissoras. Entretanto, alguns pequenos detalhes tiraram a Record dessa cobertura. Rui Viotti, na ocasião, assistente de Paulinho Machado de Carvalho, um dos manda-chuvas da Record, alertava para o risco da Globo exibir sozinha aquela competição.
Conforme o livro “Olho no Lance”, de Wagner William, os direitos de transmissão das grandes competições internacionais eram intermediados pela OTI (então Organização da Televisão Ibero-Americana). A entidade fazia a comercialização diretamente com o país associado, não importando as emissoras que desejassem colocá-las no ar. Bastava que as interessadas pagassem suas cotas. Se não houvesse o pagamento, as outras emissoras assumiriam o valor total.
Outro fator de risco era que para exibir a Copa, as emissoras filiadas à OTI eram obrigatoriamente obrigada a transmitir os Jogos Olímpicos. O grande problema é que dois anos antes apenas a Globo exibiu os Jogos de Moscou. Com isso, a emissora carioca acabou ficando sozinha com o mundial da Espanha. Havia a expectativa de que ela revendesse os direitos para as outras emissoras brasileiras, o que não aconteceu.
O mesmo Rui Viotti, que alertou para o risco da TV Record ficar sem transmitir a Copa de 1982, teve uma ideia para diminuir o desastre: comprar os direitos para rádio e veicular as transmissões na Rádio Record tanto no AM (1000Khz) como no FM (89,7Mhz – hoje Nova Brasil), mantendo as mesmas características irreverentes das transmissões de Silvio Luiz na TV e com as tradicionais intervenções do comentarista Pedro Luiz e do repórter Flávio Prado . Paulinho topou e fez com que Viotti embarcasse para o Rio e iniciasse conversações.
Negócio fechado pelo valor da época: 750 mil cruzeiros. Em seguida, foi criada uma campanha publicitária para informar ao público como acompanhar as narrações de Silvio: abaixar o som da televisão e ligar o rádio na Record. O slogan foi marcante: “Olhos na TV, coração na Rádio Record”.
O único empecilho que poderia comprometer o esquema foi resolvido de forma rápida: era o de convencer Zé Béttio, campeão de audiência e faturamento da Rádio Record AM, a abrir generosos espaços de seu programa, veiculado todas as tardes, para dar lugar aos jogos da Copa.
Claro que havia dúvida sobre o estilo de narração. Seria rápido, como é tradicionalmente no rádio ou não? No dia 13 de junho, com a partida inaugural entre Alemanha e Bélgica veio a resposta: uma narração de tv no rádio.
A estratégia deu muito certo à medida em que os jogos do Brasil, então comandado pelo treinador Telê Santana, aconteciam. Citada no livro de William, a revista Veja informava que pelo menos uma das transmissões atingiu a marca de 200 mil ouvintes. E esse número não contemplava apenas os que também ligaram a televisão. Mesmo com o estilo mais cadenciado, parte do público apenas ligou o rádio para ouvir Silvio Luiz. A Record conseguiu vencer as concorrentes em rádio que já estavam acostumadas a transmitir futebol.
Mesmo com o sucesso, não foi uma cobertura fácil. O livro “Olho no Lance” relata que ocorreram problemas técnicos a partir do segundo jogo do Brasil, contra a Escócia. O jeito foi alugar duas linhas e reservar duas posições de transmissão no estádio. Deu certo.
No fim das contas, a transmissão alternativa da Record conseguiu um retorno muito maior em todos os sentidos: o de audiência, já citado, de publicidade e mídia. Mesmo com um massacrante número de televisores ligados, a Globo ainda saiu com fama de antipática por não ter dividido os direitos de transmissão com as outras emissoras de televisão, conforme o livro de William.
Uma pena que existam tão poucos registros dessas transmissões de Silvio Luiz na Rádio Record. Os arquivos de áudio da emissora foram perdidos. O que restou foram fragmentos, gravados do próprio rádio em fita cassete pelo pai do jornalista Ubiratan Leal. Eles foram digitalizados e posteriormente divulgados pelo jornalista Thago Uberreich. Ouça abaixo em duas partes.
Em julho de 2009, durante uma entrevista de Silvio Luiz ao programa Jovem Pan no Mundo da Bola, Rui Viotti fez uma importante intervenção contando essa história.