Rádio Bandeirantes troca Terceiro Tempo por Apito Final

Por Rodney Brocanelli (colaborou Edu Cesar, do Papo de Bola)

Sem muito alarde, a Rádio Bandeirantes nesta última terça (12) fez uma importante mudança no nome de seu principal programa veiculado logo após as jornadas esportivas. Apito Final passa a substituir Terceiro Tempo, que começou a a ser usado em 2005, quando Milton Neves se transferiu para a emissora sediada no Morumbi.

A estreia aconteceu após o término de Corinthians x Unversitário (Per), jogo válido pela Copa Sul-americana com vitória da equipe brasileira pelo placar de 1 a 0.

Coincidência ou não, essa alteração ocorre bem no momento em que Milton Neves, dono da marca Terceiro Tempo, também passa por mudanças profissionais dentro do Grupo Bandeirantes. O apresentador se despediu da tela da TV Bandeirantes no último domingo (09). Em seu lugar, entrará um outro programa de futebol apresentado por Neto, com o nome de Apito Final.

O último Terceiro Tempo da Rádio Bandeirantes foi ao ar também no último domingo (09), logo após a transmissão de Bragantino x São Paulo, partida válida pelo campeonato brasileiro de futebol.

Em todo o noticiário prévio envolvendo o destino profissional do apresentador, noticiou-se que ele ficaria no rádio. Na Rádio Bandeirantes, ele já comandava o Domingo Esportivo Bandeirantes e algumas edições do meio de semana do Terceiro Tempo.

Em quase 30 anos de programa pós-jornada esportiva, seria o terceiro nome diferente do programa pós-jogo da Rádio Bandeirantes. Apartir da metade da década de 1990, ele se chamou Jogo Aberto. Em 2005, Terceiro Tempo a partir de 2005. E agora Apito Final.

Algumas curiosidades: Luciano do Valle usou esse nome para batizar as mesas redondas da em períodos de Copa do Mundo na televisão. Por sua vez, em Porto Alegre, a Rádio Bandeirantes local o utilizou para o principal debate de futebol na hora do almoço.

Para quem gosta de coincidências, aqui vai uma: o Terceiro Tempo estreou como programa pós-jogo no rádio de São Paulo em 5 de julho de 1982, na Rádio Jovem Pan, logo após a derrota da seleção brasileira para a italiana pelo placar de 3 a 2 naquela histórica partida válida pela Copa da Espanha. A apresentação foi de Milton Neves. O último Terceiro Tempo que teve a condução de Milton na Rádio Bandeirantes foi em….5 de julho de 2023, com a cobertura das partidas São Paulo x Palmeiras e América x Corinthians, ambas válidas pela Copa do Brasil. Uma trajetória de 41 anos, descontado um breve período em 2005 que a Jovem Pan, devido a desentendimentos internos, deixou de lado a marca usada desde 1982 para colocar no ar o Fim de Jogo.

Na estreia, o Apito Final estava previsto para terminar à 00h30. No entanto, sua duração foi esticada até 01h19. A apresentação foi de João Paulo Cappellanes

E quanto ao futuro, resta esperar pelos próximos acontecimentos.

Ouça abaixo a edição de estreia do Apito Final.

Desgaste com a direção provocou saída de profissional da Rádio Bandeirantes, de Porto Alegre

Por Rodney Brocanelli

Começando com um clichê: os bastidores da Rádio Bandeirantes, de Porto Alegre, estão mais vibrantes e fervilhantes que a própria programação diária. Tudo começou com a saída de Thaigor Janke, repórter e coordenador da equipe esportiva. Logo em seguida, outro profissional pediu para sair: Matheus D’Avila, também repórter. As duas baixas davam a entender que algo não estava indo bem pelos lados do Morro Santo Antônio, bairro que abriga a sede do Grupo Bandeirantes na capital dos gaúchos.

No canal de vídeos A Dupla, mantido no YouTube, provocado por um internauta que mandou um Superchat, Thaigor deu alguns detalhes. “Houve uma sequencia de desentendimentos”, respondeu. O marco inicial aconteceu em fevereiro quando ele e Ribeiro Neto, gerente de esportes, foram sugerir a contratação de um profissional para a ancoragem das jornadas esportivas.

O nome já estava na mesa: Cristiano Silva, que hoje exerce essa função (acumulando com a de repórter) na Rádio Guaíba. O que parecia ser algo simples, independente do encaminhamento, transformou-se em um atrito. Ele começa no fato de que Silva já processou (com sucesso) a filial gaúcha do Grupo Bandeirantes devido à questões trabalhistas.

Havia a avaliação de que não haveria problemas na volta de Silva porque, conforme o relato de Thaigor, outros profissionais que já acionaram a Bandeirantes na Justiça voltaram a trabalhar lá sem problemas. “Entre essas pessoas a atual diretora da empresa”, afirmou.

A ideia foi considerada absurda pela diretora. Thaigor disse que caiu na besteira de afirmar que o argumento não fazia sentido e fez questão de lembrar da situação vivida por outros profissionais que foram buscar seus direitos. “Isso não agradou a ela. Ela se sentiu ofendida(…) Ela disse que fui ofensivo. Ela disse que isso era um assunto proibido na empresa”, falou.

Thaigor questionou o motivo da proibição e a resposta da diretora, segundo seu relato, foi “porque estou proibindo”. O jornalista foi mais longe e disse: “então é proibido a partir de agora, dois minutos, quando eu falei não era”.

A partir disso, o ambiente piorou. “De alguma forma eu me senti marcado por ela. Em vários momentos, deixou isso claro para outras pessoas”. falou Thaigor.

A coisa piorava nas reuniões. “Existiram episódios em que ela excessivamente contestava situações nossas”, disse Thaigor que citou o exemplo da retomada das viagens dos repórteres para os jogos de futebol, graças a um acordo de patrocínio. “A gente conseguiu a verba para esse projeto com lucro para a Band, com orçamento diminuto para a gente viajar”, complementou.

No dia da reunião em que esse projeto foi apresentado, essa diretora disse que os orçamentos de viagens feitos pela equipe de esportes estavam errados. Um exemplo dado foi de uma passagem para Belém (PA), cujo preço ficou orçado em R$ 1700. Porém o diretor financeiro da empresa disse que a passagem ficaria em R$ 9300.

Thiagor diz ter entrado em choque com essa informação, trazida à tona em uma reunião com aproximadamente 15 pessoas, imaginando que tivesse cometido algum erro. Enquanto isso, a diretora deitava falação. Porém, o próprio diretor comercial percebeu que a falha era dele próprio, que fez um orçamento para uma viagem até Belém, mas em Portugal.

Vale um parêntese aqui: isso lembra um pouco a Rádio Camanducaia, quadro humorístico criado pelo genial Odayr Baptista. Um de seus personagens, o locutor esportivo Alberto Neto, sempre ia para o estádio errado a fim de transmitir uma partida de futebol.

Mesmo com a questão de Belém resolvida, outras discordâncias aconteceram neste projeto de viagens. A diretora quis cortar alguns deslocamentos. Por outro lado, Thaigor defendia a ideia inicial. “Eu sei que sou um cara incisivo nas minhas contestações”, reconheceu.

“Isso tudo gerou um desgaste de merda e que eu entendo também, na visão dela, ficou insustentável dela…dela me demitir. Houve outros episódios também até a demissão que aconteceu”, disse Thaigor.

Vai e vem das gestões

Embora o jornalista não tenha citado diretamente o nome desta diretora, o site Torcedores informa que trata-se de Lisiane Russo (clique aqui para ver). Conforme o site Making Off, ela foi diretora-comercial do próprio Grupo Bandeirantes em Porto Alegre (clique aqui para ver). Russo substituiu Leonardo Meneghetti, que ocupava o cargo de diretor geral pela segunda vez, desta vez desde setembro de 2019 (a primeira começou em 2005 e durou quase 12 anos).

Em uma entrevista ao canal O Bairrista (veja aqui), Meneghetti disse que foi convidado novamente pela Bandeirantes para ocupar um cargo de gestão em São Paulo, mas preferiu ficar em Porto Alegre. Com isso, ele passou a ser apenas apresentador das versões radiofônica e televisiva de Os Donos da Bola. O jornalista já esteve à frente da regional de São José do Rio Preto entre 2017 e 2019.

Essa informação acima sobre Menghetti é importante destacar porque pelo jeito é somente ele que consegue comandar a praça de Porto Alegre sem que problemas ultrapassem os limites dos corredores. Enquanto esteve fora, o gestor que ocupou seu lugar (Sérgio Cossio) não deixou muitas saudades, a julgar por declarações dadas em uma edição de Os Donos da Bola, veiculada em setembro de 2021 (veja abaixo).

Veja abaixo o trecho em que Thaigor Janke fala de sua saída do Grupo Bandeirantes.

TV no rádio: áudio do Band News TV terá espaço nas madrugadas da Rádio Bandeirantes

Por Rodney Brocanelli

Antes ocupadas pelo tradicional Bandeirantes a Caminho do Sol, as madrugadas da Rádio Bandeirantes serão ocupadas com o áudio do Band News TV, canal de notícias da tv por assinatura. A informação foi dada por Flávio Ricco em sua coluna de sábado e confirmada pelo blog Radioamantes.

Coincidência ou não, tal medida ocorre quase dez anos depois que a atração passou por uma reformulação que a descaracterizou. Em um outro momento de crise do Grupo Bandeirantes, em agosto de 2013, a rádio passou por uma onda de demissões. Zancopé Simões, que na época, estava à frente do programa, foi dispensado. A partir de então, o programa alternava blocos musicais com reprises de programas e entrevistas veiculadas na programação normal da emissora.

Apenas em 2018, houve uma exceção e o programa foi todo ao vivo. Na virada de 6 para 7 de abril daquele ano houve toda a expectativa para a prisão de Luis Inácio Lula da Silva devido aos desdobramentos da Operação Lava Jato. João Paulo Cappellanes esteve na âncoragem, com intervenções ao vivo de Yuri Cavalieri, diretamente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, local onde Lula permaneceu até se entregar às autoridades.

Nos últimos anos, o Bandeirantes a Caminho do Sol voltou a ter apresentação ao vivo de forma mais regular, tendo a frente o jornalista Vitor Lupato.

Em 2022, o período das 04h às 06h passou a ser ocupado pela veículação do 1º Jornal, da TV Bandeirantes, apresentado por João Paulo Vergueiro.

Reflexo de uma nova crise

Isto nada mais é que um reflexo de uma nova crise pela qual passa o Grupo Bandeirantes de Comunicação, deflagrada após o fracasso da passagem de Fausto Silva pela TV Bandeirantes, como apontam vários sites que cobrem o veículo.

Ao menos, mais dois reflexos foram sentidos nas emissoras de rádio do grupo. Uma foi a demissão de Agostinho Teixeira, que comandava o Manhã Bandeirantes ao lado de José Luiz Datena. A outra é que a Rádio Band News também foi atingida. Juliana Yamaoka, que integrava a equipe esportiva, deixou a emissora.

Ainda sobre a demissão de Agostinho Teixeira, o apresentador José Luiz Datena fez um desabafo: “Eu recebi como uma facada no meio do meu coração a demissão do meu irmão, amigo, camarada, parceiro, Agostinho Teixeira. Foi algo superinesperado. Não imaginei que no meio dessa tempestade eu iria perder, profissionalmente, um amigo tão importante na minha carreira aqui na Rádio Bandeirantes”.

Datena já havia sofrido um outro golpe após a perda de investimentos no Brasil Urgente, que apresenta na tv. A atração não conta mais com imagens aéreas de helicóptero, preciosas para a cobertura de fatos policiais.

TV no rádio

Voltando ao Bandeirantes a Caminho do Sol, o que está sendo feito com as madrugadas da Rádio Bandeirantes é um verdadeiro desperdício. Apesar de não existirem pesquisas que comprovem isso, existe uma parcela de público que está disponível para consumir qualquer tipo de conteúdo ao vivo.

A tv por assinatura e muito menos a tevê aberta não contemplam esse contingente de pessoas. O rádio poderia ocupar esse espaço para atendê-los.

E sobre o “tv no rádio”, quem sai perdendo é o ouvinte (sempre ele), que deverá usar muito mais a imaginação para acompanhar um jornalístico pensado e preparado para a televisão.

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Haroldo de Souza diz ter ficado satisfeito com não narração de gol do adversário do Internacional

Por Rodney Brocanelli

Haroldo de Souza teve uma breve passagem pela Rádio Bandeirantes, de Porto Alegre: aproximadamente dois anos. Porém, ele deixou ao menos uma narração memorável, que ficou na história. Ou melhor, uma não narração . Foi a do segundo gol do Mazembe (Congo), anotado por Kaluyituka, na partida contra o Internacional, na semifinal do Mundial de Clubes, em 2010.

“Eu não posso gritar o gol. Tô faltando com o respeito com a tortcida do Internacional”, disse Haroldo em entrevista ao canal de Duda Garbi no YouTube. Ainda assim, ele não deixou de fazer críticas ao clube. “Foi um vexame aquilo, né? Não existe. Um dos maiores vexames de decisão de mundial. Nem o Atlético perdendo para o Marrocos (N. da R. : Raja Casablanca) foi feio como foi a queda do Internacional contra o Mazembe. Foi terrível”, afirmou. O narrador só cometeu um equívoco ao dizer que a derrota foi na final.

“Uns gostaram, outros não gostaram. Agora, o que valeu é que eu fiquei satisfeito. E a torcida me agradeceu”, afirmou.

Uma curiosidade envolvendo este lance é que ele foi divulgado em primeira mão por este blog poucas horas após a partida. Veja abaixo.

A história ganhou repercussão graças às redes sociais e se transformou em notícia nacional. Veja abaixo.

Chama a atenção o fato de Haroldo evita ao máximo tocar no nome da Bandeirantes sempre que participa de entrevistas. Ele foi demitido da emissora logo após a eleição municipal de 2012, quando o locutor concorreu a mais um mandato na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, sem sucesso.

Veja abaixo as declarações de Haroldo.

Ouça o gol do Mazembe com a não narração de Haroldo de Souza.

Comunicado confirma que Milton Neves segue nas rádios do Grupo Bandeirantes

Por Rodney Brocanelli

Em comunicado divulgado neste sábado (10), o Grupo Bandeirantes de Comunicação informa que Milton Neves seguirá com seus espaços nas rádios. Na semana que passou, o nome do apresentador esteve em evidência após o colunista Flávio Ricco informar o término do programa Terceiro Tempo na TV Bandeirantes.

O futuro de Milton ficou incerto, mas a própria Bandeirantes definiu em comum acordo que ele segue tanto no rádio, como na televisão (ele irá comandar uma nova edição do Gol, o Grande Momento do Futebol). O espaço antes ocupado por Milton aos domingos será de Neto a partir de julho, com o Apito Final.

Milton está na Rádio Bandeirantes desde 2005. Anos mais tarde, estreou como colunista na Band News FM. Já teve também um espaço para falar de esportes na extinta Rádio Trânsito.

Leia abaixo o comunicado:

Milton Neves, profissional prestigiado e muito querido no Grupo Bandeirantes, apresentará o Terceiro Tempo até o final deste mês. Após este período, o apresentador continuará atuando nas rádios da emissora e assumirá o programa Gol: O Grande Momento do Futebol, que fez muito sucesso sob o comando de Alexandre Santos e, posteriormente, do próprio Milton de 1999 a 2001.

A partir de julho, estreia o novo programa Apito Final, com apresentação de Neto, que irá ao ar aos domingos no lugar do Terceiro Tempo.

Lula manda mensagem parabenizando o cinquentenário de O Pulo do Gato

Por Rodney Brocanelli

O presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva, participou, ainda que de forma gravada, do programa comemorativo dos 50 anos de O Pulo do Gato, da Rádio Bandeirantes. Lula relembrou de sua época de líder sindical e da cobertura que o jornalístico fazia dos movimentos grevistas dos metalúrgicos do ABC paulista no final dos anos 1970. “Era um programa obrigatório da gente assistir para saber das notícias que aconteciam nas lutas sociais do Brasil. Por isso, eu quero cumprimentar a direção da Rádio Bandeirantes por conseguir manter um programa, sabe, funcionando por tanto tempo”, afirmou.

Lula reservou algumas palavras para o jornalista José Paulo de Andrade, que comandou o programa por 47 anos interruptos. “Quero dizer que tenho muita saudade do meu amigo Zé Paulo de Andrade , companheiro que a gente tinha divergências ideológicas, mas que a gente tinha uma relação de respeito profunda. E eu fico emocionado porque a última entrevista que ele fez foi comigo. Ou seja, depois que ele me entrevistou , passados alguns dias . E eu guardo muita e profunda saudade do Zé Paulo tanto no rádio como na televisão”, disse.

José Paulo de Andrade morreu em julho de 2020 após travar uma batalha contra o Covid-19.

Antes de sua manifestação, o programa colocou no ar um registro antigo de Lula, ainda presidente nacional do PT (Partido dos Trabalhadores) saudando os 20 anos de O Pulo do Gato, em 1993.

A Rádio Bandeirantes veiculou neste domingo (02) uma edição especial de seu mais tradicional programa jornalístico, com uma retrospectiva dos 50 anos em que o programa está no ar, com direito a depoimentos de ouvintes, integrantes antigos e atuais da atração e registros históricos.

“O Pulo do Gato” completa 50 anos na Rádio Bandeirantes com edição especial

O Pulo do Gato, da Rádio Bandeirantes, comemora 50 anos neste domingo, 2 de abril, com uma edição especial que vai ao ar ao vivo, das 6h às 8h, trazendo áudios históricos armazenados no Centro de Documentação e Memória da emissora (CEDOM), vinhetas antigas, mensagens de autoridades, além de depoimentos de pessoas que fazem parte dessa trajetória, como os âncoras Pedro Campos e Silvania Alves, os locutores Pedro Luiz Ronco e Salomão EsperCláudio Junqueira, ex-repórter da rádio e autor do livro “Esse Gato Ninguém Segura”, e João Saad, presidente do Grupo Bandeirantes de Comunicação, que fala da importância e relevância da atração para o legado da empresa. 

Para celebrar a data, uma série de cinco capítulos também será transmitida a partir de segunda-feira (3) contando a história do programa e destacando os pontos cruciais que fazem dele um produto nacional, único e com audiência em constante renovação, sendo transmitido pelas mais de 50 emissoras da Rede Bandeirantes de Rádio. “Nosso objetivo é divulgar informações úteis para o ouvinte, que tenham impacto positivo em todas as regiões do Brasil”, afirma Thays Freitas, gerente de conteúdo da RB.

Durante 47 anos, O Pulo do Gato foi comandado ininterruptamente por José Paulo de Andrade, que faleceu em julho de 2020. “Em 1973, nós vivíamos sob censura. Uma das grandes alternativas era colocar a população em contato diretamente com as autoridades e foi o que mais marcou porque, de certa forma, você podia fazer as críticas que a ditadura não permitiria. Essa prestação de serviço acabou se consolidando exatamente pelo O Pulo do Gato e deu uma diretriz para todos os programas que vieram depois não só na Rádio Bandeirantes, como nas demais emissoras de São Paulo. Acho que esse foi o grande gancho: a utilidade pública levada ao pé da letra, indo buscar a reclamação e a solução do problema”, declarou o veterano em 1993.

A atração, considerada uma das mais tradicionais do rádio brasileiro, reúne informação precisa e muita prestação de serviço. O time de colunistas trata de temas como saúde, turismo e agronegócio. O consagrado quadro “Boca no Trombone” está sempre do lado de quem precisa resolver alguma adversidade. Outro diferencial é a audiência altamente engajada, que ajuda os apresentadores com informações e comentários.

Para Pedro Campos, que ancora O Pulo do Gato desde 2020, o segredo do sucesso é dar voz a quem precisa. “O Boca no Trombone foi criado para ajudar o público. No início da manhã, noticiamos tudo aquilo que quem está em casa ou já no trabalho precisa saber e também o que não pode esquecer. Trânsito, previsão do tempo, calendário de pagamentos do INSS, inscrições para concursos e vestibulares, entre outros. Claro que tivemos mudanças ao longo destes 50 anos. A principal delas é o estreitamento da relação com o ouvinte. Mensagens gravadas são enviadas por aplicativo para o estúdio e em segundos já está no ar. Antigamente, a comunicação era por carta, e-mail… Ganhamos muito com a tecnologia”.

Produtora e coordenadora do O Pulo do Gato por mais de duas décadas, Silvania Alves também assumiu a bancada após a morte de José Paulo, com quem trabalhou por 26 anos. “Estar ao lado dele durante todo esse tempo foi uma escola, melhor do que qualquer faculdade. Acompanhar o domínio que ele tinha do microfone era inspirador. Todos os dias, começava o programa com o mesmo entusiasmo, com a mesma vontade. Sempre pronto, até mesmo quando os problemas respiratórios às vezes lhe tiravam o fôlego nos últimos anos”, relembra.

Segundo a jornalista, a atração nunca perdeu sua essência, o que faz com que seja uma referência no rádio brasileiro. “Continua sendo uma espécie de revista eletrônica, não só levando ao ar as principais notícias do Brasil e do mundo para que o ouvinte comece o dia bem informado, mas também com homenagens a personalidades vivas ou não. Acredito que o segredo de se manter 50 anos no ar seja não ficar parado no tempo, porém sem esquecer do passado e da nossa história. O programa sempre acompanhou as novidades que se apresentaram e se adaptou a elas, como a facilidade de ser ouvido pelos aplicativos de celular, que nos levam ainda mais longe. Apesar disso, temos que ter em mente que o rádio ainda é som e ainda somos a única fonte de informação para muitos que nos ouvem”.

Pulo do Gato é transmitido de segunda a sábado, às 5h30, na Rádio Bandeirantes. Para acompanhar a emissora basta sintonizar em 90.9 FM, acessar o YouTube oficial da emissora ou o aplicativo Bandplay

Morre Vinicius França

Por Rodney Brocanelli

Morreu na noite do último sábado (19) o radialista Vinicius França, também conhecido como Vini França. Ele vinha enfrentando as complicações de um câncer que foi diagnosticado na língua. Ele mesmo escreveu sobre sua doença em um post publicado no Linkedin há cerca de oito meses (clique aqui para ler). O velório acontece neste domingo no Cemitério Vila Mariana. Seu corpo será cremado em Vila Alpina, no mesmo dia.

O perfil da Aesp (Associação das Emissoras de Rádio e Televisão do Estado de São Paulo) no Facebook informou que Vinicius morreu bem no dia de seu aniversário de 63 anos.

Vinicius foi um profissional de múltiplas facetas. Transitou entre o rádio jovem dos anos 1980 comandando programas como o Love Songs, na Rádio Cidade, e o radiojornalismo, sendo apresentador de atrações do gênero em emissoras como a Bandeirantes e a Estadão. Nos últimos anos, atuou como voz padrão da Rádio Capital.

Ouça abaixo uma entrevista de Vinicius França com Zilda Arns, pela Rádio Bandeirantes.

Haroldo de Souza diz gostar de repórter que o ajude a identificar jogadores

Por Rodney Brocanelli

Em entrevista ao podcast Dus 2, Haroldo de Souza fez uma revelação curiosa. O narrador esportivo disse que fica feliz quando os repórteres de campo chamam sua atenção quando está identificando de forma equivocada um jogador durante a transmissão de uma partida. “O repórter que é bom, ajuda”, declarou.

No entanto, nem todos os colegas têm esse espírito colaborativo, segundo Haroldo. “Tem uns repórteres que não gostam de ajudar(…) eu fico mais feliz quando me chamam a atenção do que aquele que permite que eu faça o jogo inteiro com o nome trocado, sem que me avisem. Aí eu fico realmente pê da vida e muito magoado, seja quem for esse profissional”, afirmou.

Outra coisa que Haroldo gosta em uma jornada esportiva é que o repórter esteja ligado na hora do gol para ajudar na identificação de seu autor. Em muitos casos, o narrador estica o grito porque não conseguiu ver quem empurrou a bola para o fundo da rede. Em casos assim, quem está no gramado deve ajudar. “Pode falar forte, não tem problema (…) É o mínimo que a gente espera”, falou.

Não deixa de ser curiosa essa fala de Haroldo, um narrador consagrado, que está caminhando para os 50 anos de atuação no rádio de Porto Alegre (ele chegou à cidade em 1974). Colegas seus de outras praças já não toleram intervenções, especialmente durante os lances de gol.

Ainda durante a entrevista, Haroldo se disse favorável ao off tube, quando o narrador transmite o jogo dos estúdios, acompanhando os lances pela televisão. “Quando me colocam no tubo, eu não reclamo mais. Hoje eu já sou mais favorável porque que a gente é beneficiado”, disse.

Essa mudança de opinião de deve à estrutura de alguns estádios. O locutor que hoje está na Rádio Grenal disse ter muitas dificuldades na Arena do Grêmio: “Esqueceram do rádio quando construíram os novos estádios. A Arena é dose cavalar para você fazer jogo à noite, com aquele vidro na frente. Se o narrador que falar ‘eu não erro nome de jogador’ tá mentindo, seja ele quem for, porque a gente tem dificuldades, sim”, falou.

Durante o papo com Cristiano Silva e Geison Lisboa, o locutor esportivo fez um apanhando de sua carreira, que conta com passagens pelas rádios Gaúcha, Guaíba e Bandeirantes. Sobre a passagem nesta última emissora, que durou um ano e dez meses, ele não quis entrar em detalhes: “Eu me nego a falar sobre isso porque eu tenho 62 anos de profissão e é a única vez em que fui mandado embora do serviço, sem explicação”.

Talvez essa história seja contada com maior riqueza de detalhes em um livro que Haroldo está prometendo para breve. Veja abaixo a entrevista.

Veja como será a cobertura das rádios do Grupo Bandeirantes neste Carnaval

A Band FM irá transmitir os desfiles das escolas de samba do Grupo Especial de São Paulo na sexta-feira e no sábado a partir das 22h. A programação será ancorada por Robson Ramos, com Kaká Meyer comentando sobre as celebridades, Pedro Rafael na concentração e Paulo Gomes na dispersão.

A Rádio Bandeirantes trará flashes na programação e matérias sobre os blocos de rua em São Paulo, o desfile no Sambódromo do Anhembi, a apuração das notas e o melhor da festa nas principais capitais do país. Além disso, no sábado, às 22h, e no domingo, às 7h, o programa Memória, com Milton Parron, ganhará edições especiais reunindo grandes momentos da história do Carnaval e do samba, que serão reprisadas nos dias 12 e 19 de fevereiro.

Já a BandNews FM coloca os dois pés na avenida – e nas ruas. Os desfiles em São Paulo e no Rio de Janeiro, além das festas espalhadas por todo o país, serão destaque na programação. Em São Paulo, Ivan BrandãoJuliana Yamaoka e Jordana Araújo trazem todas as informações ao vivo do Anhembi. Na Marquês de Sapucaí, Marcus Lacerda comanda a cobertura ao lado de Bruno FilippoPriscila XavierPedro Dobal e Agatha Meirelles e reportagem de Thuany Dossares. A transmissão para toda a rede BandNews FM só termina quando o último folião pisar na Avenida.

Pelo Brasil, os repórteres contam tudo o que está rolando nos principais circuitos de Salvador e nos blocos em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Sem falar das festas no Recife e em Olinda e em outras capitais como Fortaleza. Ao longo de todo o mês de fevereiro, ainda vão ao ar diariamente boletins e quadros especiais, com o “Vô no Bloco” e “Escolas do Samba”. O ouvinte ainda acompanha a movimentação nas estradas, nas rodoviárias e nos aeroportos, e toda a prestação de serviços para quem vai dar aquela escapada.

Pelé, o craque da era de ouro do rádio esportivo

Por Rodney Brocanelli

Morreu nesta quinta (29), Pelé. O atleta do século, o jogador que fez mais de mil gols em sua carreira, tricampeão mundial com a seleção brasileira de futebol, multicampeão com o Santos e o homem que foi chamado pelos americanos para ajudar a popularizar o futebol nos Estados Unidos. Ele estava internado no Hospital Albert Eintein, em São Paulo, desde o dia 29 de novembro, para tratamento de um câncer. Sua morte se deu às 15h37, devido à falência múltipla de orgãos, conforme comunicado assinado pelos médicos que cuidavam dele. Tinha 82 anos

Pelé explodiu para o futebol no final da década de 1950, uma época em que a televisão estava se estabelecendo no Brasil. Com isso, o rádio foi o principal veículo que propagou seus grandes feitos em quase 17 anos de carreira. As eras de ouro do rádio esportivo e de Pelé se misturaram.

A Copa de 1958, disputada na Suécia foi a oportunidade para que o mundo conhecesse Pelé e o que ele tinha a oferecer ao mundo de futebol. A competição foi acompanhada in loco e em tempo real pelo rádio. A seguir, destacamos seu primeiro gol na final contra os donos da casa, com a narração de Edson Leite, pela Rádio Bandeirantes.

Infelizmente não existe um registro do famoso gol de placa, que Pelé marcou contra o Fluminense, em pleno Maracanã no ano de 1961. Mas o som do rádio sobreviveu ao longo dos anos. Ouça a narração de Pedro Luiz, pela Rádio Bandeirantes. (Aliás, a ideia partiu do jornalista Joelmir Beting, admirado com a beleza do lance).

Em 1964, Pelé viveu um dia diferente no Santos. Ele marcou três gols na partida contra o Grêmio. Hoje, escreveriam e diriam que ele fez um “hat trick”. Depois, teve que ir para o gol em substituição a Gilmar, que havia sido expulso pelo árbitro. Ouça o registro da Flávio Araújo, pela Rádio Bandeirantes.

Outra emissora que acompanhou de perto a carreira de Pelé foi a extinta Super Rádio Tupi, de São Paulo. Ouça abaixo um dos gols da vitória contra o Palmeiras, pelo campeonato paulista de 1968 narrado por Haroldo Fernandes. A partida terminou 3 a 1 para a equipe santista.

A Super Rádio Tupi foi responsável por outra homenagem a Pelé. Logo após o gol 1000, a emissora decidiu entregar uma lembrança ao Rei do Futebol pelo gol 1040. Não foi por acaso. A emissora operava nos 1040Khz, em São Paulo. Lucas Neto um dos integrantes daquela equipe esportiva contou na Rádio Trianon os detalhes de como se deu todo o cerimonial, em uma partida na cidade de Erechim (RS). Seu colega Victor Moran foi o responsável por dar uma camisa especial a Pelé.

Outra tradição da Super Rádio Tupi era a entrega do Motoradio ao melhor em campo. Pelé ganhou vários deles e até por isso passou alguns de seus prêmios a colegas de Santos, como por exemplo Clodoaldo. Lucas Neto, também pela Rádio Trianon, é quem conta.

Os gols que Pelé não marcou foram, talvez, tão espetaculares quanto os que ele fez. Até hoje se fala na defesa do inglês Gordon Banks após uma cabeçada à queima roupa. Ouça a narração de Pedro Luiz, do pool de rádios paulistas que transmitiu a Copa de 1970.

Ouça abaixo o gol de Pelé na partida em homenagem a Garrincha, em 1973, com a narração de Armindo Antônio Ranzolin, na Rádio Guaíba, de Porto Alegre.

Mesmo que já encaminhando o encerramento de sua carreira na primeira metade da década de 1970, Pelé marcava seus gols importantes. Ouça abaixo um gol de Pelé em uma partida contra o Palmeiras, em 1974. Narração de Oswaldo Maciel, pela Rádio Gazeta.

Pelé fez a sua despedida do futebol brasileiro naquele mesmo ano de 1974, em uma partida do Santos, contra a Ponte Preta, na Vila Belmiro. Ouça o registro da Rádio Bandeirantes, com Flávio Araújo e Fiori Gigliotti.

Pouco depois, já nos vestiários, ele responde brevemente a uma pergunta de um jovem Fausto Silva, então pela Rádio Jovem Pan. Registro da TV Gazeta.

O gol 1000 de Pelé já mereceu um post à parte do Radioamantes, com os principais registros de rádio para este grande momento da carreira do Atleta do Século.

Outras histórias de bastidores do gol 1040 podem ser vistas no post abaixo.

Novas anotações sobre a cobertura da Copa do Mundo pelo rádio

Por Rodney Brocanelli

Algo que incomoda muito em algumas transmissões futebolísticas, em rádio ou tevê, é tentar prever o que vai acontecer. Com o 1 a 0, já tinha narrador chamando plantão para informar que o Brasil iria pegar Argentina ou Holanda, sem colocar nada no condicional. Tinha gente até dizendo que iria deixar de ir ao cinema (as salas do Catar são de qualidade?). Pouco depois, a seleção brasileira levava o gol de empate. O resto o amigo leitor já sabe. Antes, esses profissionais tivessem bola de cristal para prever o futuro. Seriam milionários e aposto que não estariam no Catar e sim em uma ilha paradisíaca tomando um solzinho e uma birita. O jeito vai ser assistir ao filme do Pelé.

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E teve abraço para político durante a transmissão de Brasil x Holanda. Desta vez, foi para prefeito de capital. Não teve saudação para o presidente eleito, por que será?

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O sempre alerta Edu Cesar fez uma observação importante: resta ver como rádios como Bandeirantes, Gaúcha e Itatiaia (e acrescento a Band News) deverão se comportar após a desclassificação do Brasil. Certamente, muitos profissionais dessas emissoras citadas que estão no Catar já deverão estar arrumando as malas a fim de voltar pra casa. O Edu imagina que seja uma debandada em massa e que pouquíssimos profissionais permaneçam no país. Eu espero que não, mas entendo. Trata-se de um país muito caro.

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Outra questão a ser observada é o revezamento, que foi algo constante em muitas emissoras que transmitiram os jogos da Copa. Luiz Penido, da Super Rádio Tupi, e Luis Claudio de Paula, da Energia 97, narraram a desclassificação do Brasil (ou o triunfo da Croácia, dependendo do ponto de vista, é claro).

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José Carlos Araújo, também da Tupi, narrou Argentina x Holanda.

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Ausência sentida na transmissão de Brasil x Coreia do Sul, Washington Rodrigues, o Apolinho, voltou à cobertura da Copa pela Super Rádio Tupi na transmissão da partida entre Brasil x Croácia.

Luciano Potter, comunicador do Grupo RBS, deu sequência ao seu lado “repotter”, foi almoçar no mesmo restaurante em que é servida a tal “carne de ouro” e fez uma bela descrição da experiência no Show do Esporte, da Rádio Gaúcha. Ouça aqui.

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Esta coluna volta após a grande final da Copa do Mundo ou antes, em edição extraordinária.

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Ouça abaixo a narração de Pedro Ernesto Denardin para (mais uma) desclassificação do Brasil.

Outras anotações sobre a cobertura do rádio na Copa do Mundo

Por Rodney Brocanelli

Pedro Ernesto Denardin voltou a narrar um jogo do Brasil nesta Copa. Ele comandou a transmissão da goleada contra a Coreia do Sul pelo placar de 4 a 1 pela Rádio Gaúcha. No último jogo da fase de grupos, Marcelo de Bona transmitiu a derrota para Camarões. Pedrão esteve com a voz firme e forte.

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Plantão do revezamento: narraram este jogo do Brasil nas quartas Domenico Gatto, pela Energia 97 e José Carlos Araújo, pela Super Rádio Tupi.

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Quem surpreendeu foi a Itatiaia. Mario Caixa fez dois jogos seguidos da seleção brasileira: contra os camaroneses e contra os coreanos. Ênio Lima transmitiu o jogo contra a Tunísia.

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Por falar em Itatiaia, a emissora mineira foi a que mandou a maior quantade de profissionais ao Catar: 20 ao todo. No entanto, isso não significa a transmissão de uma grande quantidade de jogos. Japão x Croácia, partida que interessava muito ao torcedor brasileiro, foi deixada de lado e em seu lugar entrou uma edição do Rádio Esportes.

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A Nova FM, do Rio de Janeiro estava entrando em cadeia com a Super Rádio Tupi para a transmissão dos jogos do Brasil. E as transmissões da dupla Garotinho-Penido também podem ser ouvidas pela Rádio Central, de Campinas.

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Pelo tom de voz que adota nas jornadas esportivas, Eduardo Gabardo, da Rádio Gaúcha, pode ser chamado de “repórter João Gilberto”. Algo diferente.

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Eduardo Castro, que apresenta o principal telejornal da Band News TV, atuou em várias transmissões da Rádio Bandeirantes como comentarista, especialmente nas partidas das seleções africanas. O jornalista morou muitos anos em Moçambique e de lá acompanhou as grandes competições do futebol no continente africano.

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Informa o sempre solerte Edu Cesar, do Papo de Bola: Renan Moura, da CBN/Globo, do Rio, foi o 41º narrador a transmitir um jogo nesta competição. Ele transmitiu a vitória da França sobre a Polônia.

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Zé Henrique narrou pela Energia 97 a partida entre Holanda x Estados Unidos. Talvez pelo nome, poucos lembrem de quem se trata. Ele é o Zé Mistério, que por muitos anos narrou jogos do Palmeiras na Web Rádio Verdão. Mais um bom exemplo de quem surgiu no rádio web e agora está mostrando seu talento no rádio dial.

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No post passado, falamos aqui de revezamentos históricos de narradores ao longo das Copas do Mundo. Então lá vai mais uma pitadinha histórica. Em 1978, na Rádio Gazeta, de São Paulo, Jota Jr. narrou a decisão do terceiro lugar do Mundial na Argentina, envolvendo Brasil e Itália. José Italiano havia feito todos os jogos da seleção brasileira até então. O Garganta de Aço foi deslocado para transmitir a grande final Alemanha x Argentina.

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Um aviso ao pessoal de rádio: está bem que alguns jogos da Copa são aborrecidos, mas não dá para deixar de lado a bola rolando e ficar passando o tempo com o estoque de curiosidades de histórias de almanaque. Neste domingo, o Radioamantes ouviu a transmissão de Inglaterra x Senenal. Em um determinado momento da segunda etapa, o narrador (um grande profissional, por sinal) passou a falar sobre dados históricos da seleção inglesa enquanto o jogo corria solto. E quem não está vendo o jogo por algum motivo e só tem o rádio, como fica? Tem um monte de gente que está no trânsito, nas estradas e não tem acesso às imagens da televisão. E mais. Existem muitos deficientes visuais que tem apenas na narração do rádio uma forma de poder acompanhar partidas de futebol. Tem que se pensar neles também.

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Força Pelé! Fique bem logo.

Dez anos sem Joelmir Beting

Por Rodney Brocanelli

Há dez anos, o jornalismo perdia um de seus expoentes. Joelmir Beting, homem de jornal, rádio e televisão, que com sua linguagem simples procurou descomplicar os meandros da economia. Seu início de carreira foi no jornalismo esportivo, trabalhando nos jornais Diário Popular e O Esporte. Quando percebeu que não iria conciliar a paixão pelo Palmeiras com a sua área de atuação, decidiu mudar, em 1962.

Após ter passado pela Jovem Pan e rádio e tv Gazeta, Joelmir trabalhou muitos anos na Rádio Bandeirantes, como comentarista e depois integrante do Jornal Gente (ou Jornal da Bandeirantes Gente, como José Paulo de Andrade gostava de dizer). Nesse período, ele foi fazer o antigo Jornal Bandeirantes, na TV Bandeirantes.

Em 1985, ele se transferiu para a TV Globo e se destacou como comentarista do Jornal Nacional. Paralelamente às suas aparições nos meios eletrônicos, o jornalista manteve colunas nos jornais Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo. Retornou ao Grupo Bandeirantes em 2004. No rádio, voltou a fazer parte da bancada do Gente e em televisão, coapresentou o Jornal da Band e comandou o Canal Livre.

O anúncio de sua morte proporcionou um dos momentos mais tocantes da história do rádio. Ele foi feito ao vivo por um de seus filhos, Mauro Beting, que estava no ar pela Rádio Bandeirantes, trabalhando como comentarista da transmissão de São Paulo 0 x 0 Universidad Católica, partida que começara no dia anterior 28 de novembro de 2012 e era válida pela Copa Sul-americana.

Corria o Terceiro Tempo da madrugada do dia 28. O programa seguia seu ritmo normal. Houve espaço até para uma série de alfinetadas entre o apresentador Milton Neves e o então goleiro do São Paulo, Rogério Ceni (ouça aqui). Pouco depois, chegou a triste notícia. Mauro foi encarregado de informá-la aos ouvintes e à grande legião de fãs de Joelmir. Ouça abaixo.

Mais algumas anotações sobre a cobertura da Copa pelo rádio brasileiro

Por Rodney Brocanelli

Novidade na lista de rádios autorizadas a transmitir esta Copa do Mundo, a Energia 97 está revezando seus narradores nos jogos do Brasil. Luis Claudio de Paula (ex-Bradesco Esportes) narrou Brasil x Suíça. Domenico Gatto irradiou a estreia da seleção brasileira.

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E por falar em revezamento, José Carlos Araújo, o Garotinho, narrou Brasil x Suíça na Super Rádio Tupi.

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Mais uma de revezamento: na Itatiaia, Ênio Lima fez Brasil x Suiça. Por sua vez, Mario Henrique, o Caixa, esteve presente na estreia brasileira.

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Orgulho da Região Nordeste, a Rádio Jornal, de Recife, contou com a narração de Aroldo Costa para este segundo compromisso do escrete canarinho.

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Já recuperado de um problema na voz, Nilson Cesar transmitiu o segundo jogo do Brasil pela Jovem Pan.

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José Luiz Datena foi um dos comentaristas de Brasil x Suiça na Rádio Bandeirantes. Se a seleção brasileira vive a Neymardependência, o Grupo Bandeirantes tem a sua Datenodependência.

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Foi só elogiar. No post anterior, o Radioamantes destacou que a Rádio Gaúcha havia transmitido todos os jogos desta Copa, incluindo aqueles que se iniciam às 07 da manhã (aliás, sobre esses jogos falarei mais adiante). Na última sexta, a emissora deixou de lado Gales x Irã e no dia seguinte, um sábado ignorou Tunísia x Austrália.

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CBN/Globo (RJ) e CBN (SP) transmitem os jogos da Copa com equipes regionalizadas. Uma exceção se deu neste último final de semana quando houve a formação de rede Hugo Lago transmitiu Canadá x Croácia. Por sua vez, Vinicius Moura foi o responsável pelas emoções de Bélgica x Marrocos.

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Por falar em CBN, três registros positivos 1) Edson Mauro pela primeira vez em sua carreira como titular dos jogos do Brasil, no Rio de Janeiro, 2) a sobriedade de Oscar Ulisses e 3) a presença de Eraldo Leite no Catar.

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Aliás, um grande abraço ao Eraldo Leite.

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As emissoras de rádio estão agradecendo pelo fim dos jogos iniciados às 07 de manhã. Como já registramos (clique aqui para ver), muitas emissoras abriram mão da transmissão dessas partidas. Está certo que o cardápio apresentado nesse horário não foi o mais convidativo. Argentina x Arábia Saudita foi a exceção. Não deixa de ser estranha essa opção. Afinal, o preço pago pelos diretos de transmissão não foi barato. E tem rádio que está investindo mais, colocando seus profissionais no estádio. Sabe-se que o período matinal é o considerado horário nobre do rádio, que tem maior audiência e correspondente procura de patrocinadores. Agora, se existe um evento especial não seria o caso de negociar com aqueles que já anunciam na programação normal? Uma semana a mais de veiculação após o fim do contrato de veículação não faz mais a ninguém.

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O Radioamantes ouviu dois jogos em uma mesma rádio: a estreia do Brasil e o parto da montanha que foi a vitória da Argentina sobre o México. Chamou a atenção o excesso de abraços, muitos deles mandados durante a bola rolando. Após um aviso do sempre solerte Edu Cesar, percebeu-se que as saudações foram endereçadas a diretores, presidentes e “cabeças coroadas” dos patrocinadores. É uma forma de driblar a proibição dos foguetes publicitários durante os jogos. Até aí, tudo bem. O grande problema começa quando os abraços são enviados a políticos, muitos deles deputados estaduais.

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Enquanto escrevo este texto, ouço pela Rádio Oriental, de Montevidéu, a partida entre Portugal x Uruguai. Narração de Javier Máximo Goñi. Os patrocinadores de emissora são divulgados durante a partida sem qualquer tipo de problema. Um locutor destacado especialmente para isso lê os textos do estúdio.

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Como já deve ser de conhecimento geral, a Globo não detém mais a exclusividade total da Copa do Mundo. Ela vai apenas transmitir a próxima edição, em 2026, sem a possiblidade de revender direitos a outros veículos. Ou seja, a negociação deverá ser feita diretamente com a Fifa. Vamos aguardar para saber se a entidade máxima do futebol mundial deverá mais flexível ou não, especialmente com o meio rádio.

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Aguarem pelas próximas anotações. Mais uma vez, o Radioamantes agradece a Edu Cesar. Ouça abaixo a narração de Aroldo Costa para o gol de Casimiro, que livrou o Brasil do sufoco.