Memória: ouça grandes lances de Maradona em narrações do rádio esportivo brasileiro

Por Rodney Brocanelli

O mundo perdeu hoje uma de suas maiores referências: Diego Maradona. Ele teve uma parada cardiorrespiratória em sua residência. Apesar do socorro de seis ambulâncias, não foi possível reanimá-lo. O mundo do futebol está de luto e a Argentina em estado de choque. Ele tinha 60 anos. Ainda não foram divulgadas informações sobre velório e enterro. 

Vamos relembrar aqui alguns momentos de Maradona no mundo do futebol registrados pelo rádio brasileiro.

Não poderíamos começar com outro registro que não fosse o gol de mão que ele marcou na partida entre Argentina x Inglaterra, válida pela fase de quartas-de-final da Copa do Mundo de 1986. Um gol marcado com “la mano de Dios”. Narração de Éder Luiz e reportagens de Roberto Silva, pela Rádio Bandeirantes.

O segundo gol de Maradona naquela partida foi uma pintura. Ouça a descrição de Samuel de Souza Santos, pela Rádio Guaíba.

Haroldo de Souza transmitiu este histórico jogo pela Rádio Gaúcha.

O último gol de Maradona em Copas aconteceu no mundial dos EUA, em 1994. Um belo chute de média distância com o pé esquerdo. Entretanto, pouco depois, ele foi excluido da competição, por ser pego no exame antidoping. Ouça a narração de Alberto Cesar e reportagens de Marcelo di Lallo, pela Rádio Gazeta.

Ouça esse mesmo lance com a narração de Jota Santiago, da Super Rádio Tupi.

Outro lance histórico de Maradona não foi exatamente um gol, mas sim um passe que ele deu para Caniggia fazer o gol da vitória da Argentina sobre o Brasil. Diego veio com a bola dominada no meio campo, conseguiu se livrar da marcação de Dunga e, mesmo cercado por pelo menos dois outros jogadores brasileiros, passou a bola para que seu companheiro saísse livre, de frente para o gol.

Só mesmo um lance genial de Maradona para fazer Fiori Gigiotti falar um palavrão no ar. Ouça abaixo e saiba mais clicando aqui.

Ouça o mesmo lance com a narração de José Silvério, então pela Rádio Jovem Pan.

E ainda, a narração de Marco Antonio Pereira, pela Rádio Guaíba.

 

 

Falta de dentista fez Juçara Carioca começar sua carreira no rádio

Por Rodney Brocanelli

Paulo Lopes foi quem deu a primeira oportunidade para Juçara Carioca trabalhar em rádio. E foi bem por acaso. Ela tinha uma consulta no dentista, mas o profissional que iria atendê-la faltou. Sem ter o que fazer naquele momento, e com uma baita dor de dente, Juju foi até a antiga sede da Super Rádio Tupi. No momento em que estava lá, Lopes perguntou quem gostaria de pedir uma música. Ela logo se prontificou e foi gravar com a produção. A música escolhida foi Detalhes, de Roberto Carlos. Sua voz agradou tanto que Lopes resolveu oferecer um estágio a ela, que estava com uma semana de aula na faculdade. Uma vez na emissora,  iniciou na editoria de Geral, entrevistando autoridades e logo foi deslocada para a cobertura policial, onde se destacou. 

Juçara contou essa e outras histórias em uma entrevista concedida ao canal de Diana Rogers, no You Tube, publicada em setembro de 2017 (veja abaixo). Ela morreu na última quinta-feira (22) vítima de um câncer no pulmão. O sepultamento aconteceu no dia seguinte (23) no Cemitério do Cacuía, na Ilha do Governador, na Zona Norte do Rio, com a presença da familiares e colegas da Tupi. Tinha 64 anos. Nos últimos anos, fazia parte da equipe do Show do Antonio Carlos, entrando no ar com notícias sobre o mundo artístico.

 

 

 

 

O rádio se faz presente no dia-a-dia das pessoas, é verdade. E onde estão os anunciantes?

Por Rodney Brocanelli

Flavio Ricco, colunista do portal R7, trouxe neste último domingo (11) importantes informações sobre a presença do rádio na vida das pessoas. Em resumo, ele cita um estudo do Kantar Ibope Media sobre consumo de rádio. A pesquisa realizada entre os meses de abril e junho conclui que “78% da população em 13 regiões metropolitanas, ouvem rádio. Três a cada cinco pessoas escutam todos os dias, e cada uma, em média, 4h41”.

Além dos dados, Ricco destaca a transformação do meio rádio ao longo destes últimos anos “o fato é que pela sua versatilidade, o conteúdo em áudio tem, agora, várias formas de disseminação. O rádio, por exemplo, está presente há quase 100 anos no dia a dia dos brasileiros e não dá sinais de perder sua força e relevância. Acompanha a evolução”.

Outro ponto sobre o qual o jornalista se debruça é a capacidade do veículo ajudar em iniciativas educacionais, além de expandir a fronteira do aparelho de rádio: “ao longo de 2020, inclusive, o meio também se adaptou e se inseriu em um novo contexto, devido à pandemia. Marcou presença nas chamadas lives, diversificou a programação, foi parceiro de prefeituras e governos, transmitindo, ao vivo, parte do currículo escolar para que estudantes não perdessem o ano letivo. Indiscutível a sua relevância”.

Nada a opor aos fatos e argumentos apresentados no texto. No entanto, deixo aqui um outro aspecto para análise geral com base em uma pergunta: onde estão os grandes anunciantes que não enxergam todas essas vantagens do rádio?

Desde antes da pandemia, nota-se a ausência dos anunciantes de peso no rádio: grandes bancos, grandes fabricantes de eletroeletrônicos, grandes empresas alimentícias, etc.

Em entrevista recente ao perfil da Uninarra (Universdade dos Narradores) no YouTube, o narrador José Silvério, reparou nisto também. Falando sobre o seu universo, o do rádio esportivo, ele disse que a usual prática de se transmitir os jogos de futebol dos estúdios, e não dos estádios, afugentou os grandes patrocinadores. No lugar deles, entram outros, que não podem pagar o que os de maior porte pagavam. “Isso significa que o rádio não está faturando nada”, disse (veja mais aqui).

Vale destacar que o caso das jornadas esportivas é muito particular, mas os grandes anunciantes fugiram de outros espaços também, incluindo aí os jornalísticos.

Outro exemplo: uma grande emissora de rádio lançou um importante programa de entrevistas com transmissão simultânea no rádio e em outras plataformas populares da Internet, como Facebook e no YouTube. Com poucas semanas de vida, já levou ao ar a palavra de importantes nomes da política nacional e jornalistas com grande bagagem para sabatiná-los. Entretanto, durante os intervalos, apenas chamadas institucionais. E olha que o alcance de público não foi pequeno, como é possível aferir pelo número de vizualizações na Internet.

No rádio popular a situação não é muito diferente. A emissora de um importante comunicador e empresário, recém-lançada em São Paulo, tem como principal anunciante uma marca de café a qual ele empresta um de seus bordões.

Além desses, existem outros exemplos. O rádio tem feito a sua parte e tem se inserido mais na vida das pessoas. Entretanto, para que o veículo possa dar sequência a isso, ele precisa do retorno do mercado publicitário. É perfeitamente compreensível que neste momento de pandemia, exista receio de se investir.

É sabido que existe um preconceito histórico das agências de publicidade com o rádio. Vários de seus departamentos, especialmente o de criação, preferem mais criar peças ou campanhas para outros veículos. Algo que não deixa de ser estranho, uma vez que é muito mais barato bolar anúncios específicos para o rádio que para meios, digamos visuais. E para as rádios que veiculam parte de suas programações em vídeo, basta usar o mesmo vídeo usado na tevê/cinema/YouTube.

Espera-se que no período pós-pandemia as coisas mudem, deixando de lado preconceitos relacionados à veiculação de campanhas no meio. O rádio agradece.

Leia no link abaixo, o texto de Flavio Ricco

https://entretenimento.r7.com/prisma/flavio-ricco/o-radio-sempre-se-fara-presente-no-nosso-dia-a-dia-11102020

Arquivo Guaíba relembra Pedro Carneiro Pereira

Por Rodney Brocanelli

Neste sábado (10), o programa Arquivo Guaíba relembrou um dos profissionais mais importantes da história da Rádio Guaíba: o narrador Pedro Carneiro Pereira. A atração veiculou três registros de seus arquivos para destacá-lo. Um deles é o registro do acidente que tirou sua vida, em 21 de outubro de 1973. Paralelamente às suas atividades como comunicador, Pedro foi piloto de competição, participando de provas automobilísticas de forma mais regular a partir do ano de 1968.

Pedrinho, como era conhecido, foi disputar a quarta etapa do Campeonato Gaúcho de Turismo, no autódromo de Tarumã. Durante a corrida, ele se envolveu em um acidente com Ivã Iglesias. Depois do choque, os carros capotaram e se incendiaram logo em seguida. Infelizmente, não houve possibilidade para ambos escaparem com vida.

Essa prova teve cobertura da Rádio Guaíba. O repórter Clóvis Resende entrou no ar durante o pré-jogo da partida Internacional x São Paulo, válida pelo campeonato brasileiro de 1973 e, abalado, deu a notícia do acidente, ainda sem a possibilidade de identificar os envolvidos. Pouco tempo depois, o plantão esportivo Antônio Augusto dava a triste notícia: “Atenção. A Rádio Guaíba lamenta informar que hoje a tarde, quando se realizava a primeira bateria da prova para carros de turismo, ocorreu um sério acidente envolvendo dois carros. Do acidente, resultam mortos os pilotos Nelson Iglesias e Pedro Carneiro Pereira, titular de esportes da Rádio Guaíba”.

Embora a nota da Guaíba tenha informado Nelson Iglesias, o nome da outra vítima da tragédia era Ivã Iglesias Veiga.

Armindo Antonio Ranzolin, que narrava a partida, impactado pela notícia, informou aos ouvintes que não haveria a menor condição para seguir com a jornada esportiva daquele dia, que ainda previa a transmissão do jogo entre Desportiva (ES) x Grêmio. A partir de então, foi rodada uma programação musical, entremeada com algumas informações que chegavam de Tarumã, divulgada também por profissionais dos impressos da Empresa Caldas Júnior. Todos esses registros estão nesta edição do Arquivo Guaíba.

O programa também divulgou dos registros de Pedro Carneiro Pereira como narrador. O primeiro deles é a cobertura do GP Brasil de Fórmula 1 de 1973, disputado no mês de fevereiro no autódromo de Interlagos. Foi a primeira prova oficial da categoria máxima do automobilismo mundial por aqui. Pedrinho teve a companhia de Armindo Ranzloin e João Carlos Belmonte. A prova foi vencida por Émerson Fittipaldi.

Além disso, o programa veiculou o compacto da partida entre Grêmio x Remo, disputada em 14 de outubro de 1973, válida também pelo Brasileirão daquele ano. O tricolor saiu com a vitória pelo placar de 3 a 0, embora apenas os dois primeiros gols foram veiculados. Foi a última partida narrada por Pedro Carneiro Pereira pela Rádio Guaíba. Além dele, estiveram nesta transmissão o comentarista Lauro Quadros e os repórteres João Carlos Belmonte e Lupi Martins. Ouça no player abaixo.

O Arquivo Guaíba tem apresentação de Luis Magno.

 

Memória: a medalha de ouro de Joaquim Cruz em 1984 e o registro da cobertura de Orlando Duarte

Por Rodney Brocanelli

Em 1984, Joaquim Cruz era uma das esperanças de medalha para a delegação do Brasil nos Jogos Olímpicos disputados na cidade de Los Angeles (EUA). Uma de suas especialidades era a prova dos 800m, uma das provas de fundo mais tradicionais do atletismo. Um terceiro lugar no mundial sediado em Helsinki (FIN) no ano anterior fez com que seu nome passasse a ser acompanhado com mais atenção pela mídia brasileira e internacional. Em LA, ele tinha como adversários nomes de destaque como Sebastian Coe e Steve Owett, ambos ingleses e que vinham de uma sensacional disputa nos Jogos de Moscou, em 1980 (leia aqui).

Para a cobertura dos Jogos de LA, a Rádio Jovem Pan, de São Paulo, destacou Orlando Duarte, um dos principais nomes do departamento de esportes da emissora, com larga experiência em coberturas internacionais.  No dia 6 de agosto, data da grande final dos 800m, lá estava ele para cobrir a grande final. Joaquim Cruz conseguiu garantir seu lugar nela, após passar por três provas eliminatórias.

Cruz venceu a disputa e conquistou a medalha de ouro com o tempo de 1min43s00, recorde olímpico na ocasião. Era a primeira vez que um brasileiro conquistava o pódio olímpico em provas de corrida. Desde o bicampeonato de Adhemar Ferreira da Silva no salto triplo nos Jogos de Helsinque 1952 e de Melbourne 1956, o Brasil não havia obtido um resultado de destaque no atletismo nas competições que se seguiram.

No player abaixo, é possível reviver trechos desta cobertura de Orlando Duarte. Primeiramente, ele faz uma breve descrição da cerimônia de premiação após a final dos 800m. Uma narração sóbria e informativa, privilegiando os sons, especialmente a execução do Hino Nacional Brasileiro. Depois, a gravação passa para alguns trechos de uma concorrida entrevista coletiva de Joaquim Cruz. O corredor teve de responder as perguntas em inglês e português. “O povo tem que apoiar mais o esporte amador”, disse na ocasião. Orlando participa perguntando se o fato de ter sido “prensado” pelos adversários tenha impedido um tempo maior.

Joaquim Cruz hoje está radicado nos EUA, país para onde mudou ainda quando era atleta. Mora na cidade de San Diego. Segue trabalhando com atletismo e e foi o técnico da equipe de atletismo norte-americana em duas competições: os Jogos Parapan-americanos de 2007 no Rio de Janeiro e os Jogos Paraolímpicos de 2008 em Pequim.

Aos 88 anos, Orlando Duarte está aposentado. Conforme reportagem publicada pelo UOL em 2019, após ser diagnosticado com o mal de Alzheimer, ele tem enfrentado a “batalha pela vida” (leia aqui).

Morre Alfredo Raymundo

Por Rodney Brocanelli

Morreu nesta última quinta (27) o radialista Alfredo Raymundo. Ele estava internado em um hospital de Niterói desde 3 de agosto. Teve um infarto agudo do miocárdio na UTI e não resistiu. Tinha 87 anos. Informações sobre velório e enterro não foram divulgadas até o momento da publicação deste post.

Foi um dos nomes mais proeminentes do rádio do Rio de Janeiro. Começou como repórter esportivo, em Petrópolis, na Rádio Difusora. Em 1959, se transferiu para a Rádio Globo, atuando na mesma função. Pouco anos depois, migrou para a antiga Rádio Guanabara, integrando a equipe esportiva.

Raymundo teve cargos de gestão em diversas rádios pelo país:  Rádio Imperial, de Petrópolis,  Rádio Tiradentes (depois Globo) de Belo Horizonte e  Rádio Farroupilha, de Porto Alegre. Nos Diários Associados, ocupou os cargos de diretor administrativo e financeiro das Rádios Tupi e Tamoio do Rio de Janeiro. Na Tupi, entre idas e vindas, foi contratado como diretor-geral, e se transformou em  condômino dos Diários Associados, na década de 1990.

Em 2013, ele concedeu uma longa entrevista ao site Mídia de Verdade na qual falou sobre diversos aspectos de sua carreira. Veja abaixo.

Ouça trechos de Arnaldo Saccomani apresentando Contatos Imediatos na Band FM

Por Rodney Brocanelli

Morreu nesta quinta (27) Arnaldo Saccomani. A causa da morte não foi divulgada, mas sabe-se que ele era portador de diabetes e fazia hemodiálise devido a um quadro de insuficiência renal. Até o momento da publicação deste post, seu corpo era velado na cidade de Embú das Artes. Tinha 71 anos.

Ele é mais conhecido por sua atuação em televisão como jurado dos reality shows musicais do SBT. Antes disso, teve destacada atuação como produtor musical e executivo de gravadoras. No rádio, atuou em cargos de gestão nas rádios Antena 1 e Jovem Pan. Nesta primeira, atuou também como apresentador à frente do Contatos Imediatos, em 1981.

Na Band FM, comandou o programas Talk Radio e reeditou o Contatos Imediatos. Este último, veiculado na metade dos anos 1990, funcionou na ocasião como uma espécie de “tinder do rádio”. Ele recebia mensagens via fax (sim, fax) de ouvintes que desejavam mandar recados românticos a outros. Anos depois, em 2004, ele levou o Contatos Imediatos para a Transcontinental FM, em outro formato.

Vamos destacar alguns trechos da atração (ainda na Band FM) no player abaixo.

Morre Edegar Schmidt

Por Rodney Brocanelli

Morreu na última segunda (10) o comentarist Edegar Schimidt. Ele foi mais uma vítima do Covid-19, popularmente conhecido como Coronavírus. O radialista estava internado no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre. Tinha 70 anos. Seu corpo foi velado nesta terça (11) estava prevista uma uma cerimônia íntima de despedida, com a observação dos protocolos de segurança.

Edegar começou sua carreira na imprensa escrita. Depois passou a atuar em rádio, na Difusora (hoje Bandeirantes). No final dos anos 1960 foi contratado pela Rádio Guaíba, emissora na qual se tornou conhecido. Teve passagem pela Rádio Gaúcha. Atuou também em televisão, na TV Tarobá, de Cascavel. Na TV Guaíba (hoje Record RS) criou o programa Cadeira Cativa.

Aposentou-se em 2013 após sofrer um AVC. Nos últimos anos esteve morando em uma clinica geriátrica.

Ouça Edegar Schimidt em ação pela Rádio Guaíba durante a cobertura da final da Copa Libertadores 1995 envolvendo Atlético Nacional (Col) x Grêmio.

Edegar Schmidt

Morre Paulo Edson, a Voz do Rádio

Por Rodney Brocanelli

Morreu na manhã desta segunda (10) o radialista Paulo Edson. Segundo o site Terceiro Tempo, no último dia 3 de agosto ele sofreu um infarto e foi internado em um hospital da cidade de São Pedro, onde morava. Dias depois, foi transferido para a Santa Casa de Piracicaba, mas ele não resistiu. Tinha 77 anos. Deixa três filhos. O O velório aconteceu no Velório Memorial Bom Jesus, em São Pedro. Seu corpo foi cremado no crematório de Piracicaba, às 15h de hoje.

Sua carreira profissional foi iniciada aos 17 anos, na Rádio Clube, de Rio Claro. Ainda no interior de São Paulo, trabalhou na Rede Alpes,  Rádio Vera Cruz, de Marília e Rádio Luz, de Araçatuba. Veio para a capital e atuou nas emissoras importantes como Tupi, Bandeirantes (onde teve duas passagens) e Record. Nesta última, ganhou o apelido que marcou o restante de sua carreira: “Voz do Rádio”. Em televisão, fez trabalhos na Bandeirantes e na Record.

Veja abaixo uma entrevista de Paulo Edson ao portal Terceiro Tempo, conduzida por Edvaldo Tietz.

Paulo Edson

Ouça José Paulo de Andrade narrando o acesso do Paulista, de Jundiaí, em 1968

Por Rodney Brocanelli

Um dos momentos mais marcantes de José Paulo de Andrade como narrador esportivo foi a partida que marcou o acesso do Paulista, de Jundiaí, à divisão de elite do futebol paulista. Em 1968 disputou a fase final da 2ª divisão com equipes tradicionais de outras partes do interior paulista, como, por exemplo a Ponte Preta, de Campinas, a Francana, de Franca e o Bragantino, de Bragança Paulista (saiba mais aqui).

A Rádio Bandeirantes, com seu Escrete do Rádio, acompanhou todas as emoções desta disputa. A partida que marcou o acesso do Paulista aconteceu no dia 6 de dezembro de 1968, no Parque Antarctica, o antigo Palestra Itália. Zé Paulo narrou a vitória do time de Jundiaí sobre o Barretos pelo placar de 3 a 0. Nesta transmissão, a seu lado, como repórter estava J. Hawilla, que anos depois se tornaria um empresário influente no mundo do futebol.

Pouco tempo depois, foi lançado um disco comemorativo com esse e outros registros da campanha do Paulista com as vozes de Borghi Jr, Luiz Augusto Maltoni e Alexandre Santos.

No player abaixo, é possível ouvir os gols do triunfo do Paulista sobre o Barretos com a narração de José Paulo de Andrade. Agradecimentos ao Thiago Batista, do site Esporte Jundiaí (clique aqui pra ver).

José Paulo de Andrade

Ouça a última edição de O Pulo do Gato sob o comando de José Paulo de Andrade

Por Rodney Brocanelli

3 de julho de 2020 é uma data que já entrou para a história do rádio brasileiro. Neste dia, uma sexta-feira,  José Paulo de Andrade apresentou pela última vez O Pulo do Gato. E ele estava animado. Não parecia que dali a poucos dias, ele estaria lutando pela vida. “Ô gente animada, hein? É bom começar o programa assim lá em cima, lá no alto”. Foram essas suas primeiras palavras na abertura do jornalístico.

“Podia ser uma sexta diferente, né? Com aqueles avisos que sempre dávamos aqui: ‘Você que não vê a hora de acabar o expediente para confraternizar com os amigos, lembre-se sempre que bebida e volante  formam uma parceria que pode ser mortal’. É, mas isso tudo vai passar e vamos voltar àquelas sextas-feiras tão gostosas”, disse ele.

Em seguida falou da lua: ” a lua cheia já tá dando um chega pra lá na crescente. Tá uma coisa maravilhosa.

O Pulo do Gato seguiu seu curso normal com as participações de Amanda Sampaio, Paula Soares (ambas previsão do tempo), Guilherme Cimatti (futebol), Julianne Cerasoli (Fórmula 1), Elia Júnior (boletim olímpico), Ricardo Capriotti (pílula do “Fôlego”), Nelson Gomes (editorial do Grupo Band), Márcio Fernandes (boletim do canal Agro+), Lucas Jozino, Lucas Herrero e dos colunistas Carol Sandler, Fernando Mitre e Milton Neves.

“Daqui pra frente, Primeira Hora”. Foi assim a sua despedida os ouvintes. No dia seguinte (4), um sábado, ele estava de folga. Na segunda (6), já não esteve a frente do programa. Pedro Campos ficou em seu lugar.

Embora sua imagem tenha ficado bastante associada ao Pulo, José Paulo de Andrade não participou de sua estreia em 02 de abril de 1973. Seu primeiro apresentador foi Gióia Jr. Como não houve adaptação do estilo do apresentador com o perfil do programa, houve a troca. Zé Paulo assumiu o comando e o casamento foi perfeito e duradouro.

José Paulo de Andrade morreu na madrugada desta sexta (17) aos 78 anos. Ele estava internado no Hospital Albert Einstein desde o dia 7 de julho e foi diagnosticado com o Covid-19, mais popularmente conhecido como Coronavírus.

Ouça abaixo a íntegra da última edição de O Pulo do Gato sob o comando de Zé Paulo. Cortesia de Edu Cesar.

_José

Memória: Serginho Leite imita Pelé e engana Xuxa durante entrevista

Por Rodney Brocanelli

Em 1981, a então modelo e atriz Xuxa concedia uma entrevista ao Show da Manhã, da Rádio Jovem Pan AM. Ela falava sobre aspectos da sua carreira, de um documentário que estava filmando e de seu namoro com Pelé, que fazia a alegria do jornalismo de celebridades da época. Em dado momento, o próprio Pelé entrava no ar para surpreender a namorada. No entanto, tudo não passou de uma armação da produção do programa. Na verdade, quem entrou no ar foi Serginho Leite, apresentador da Jovem Pan FM, humorista e exímio imitador de famosos (ouça abaixo).

Esse episódio é bastante conhecido no rádio de São Paulo. Durante o papo, alguém da produção do Show da Manhã teve a ideia de chamar Serginho Leite para imitar Pelé e provocar alguma reação em Xuxa. Na ocasião, Serginho estava no ar pelo FM. A proximidade dos estúdios do AM e do FM facilitou a situação. Apesar da pegadinha (que talvez nem se chamasse dessa forma nos anos 1980), a futura Rainha dos Baixinhos levou essa situação inesperada na boa.

Outro detalhe dessa entrevista é que ela foi feita fora do estúdio e em seu comando estava Ana Maria Penteado (que muitos ainda insistem em confundi-la com Ana Maria Braga, apresentadora da Rede Globo). Além dela, o então produtor Luiz Henrique Romagnoli colaborou, fazendo perguntas à entrevistada.

Um dado curioso é que foi citado um documentário que Xuxa estaria finalizando chamado “Xuxa no Cinema – Nasce uma Estrela”. No entanto, não foi encontrada qualquer menção a ele na Internet, pelo menos com esse título. Pela descrição, essa obra destacaria sua primeira participação em cinema, no filme “Amor Estranho Amor” (aquele mesmo).

Serginho Leite e Xuxa

A história de Miriam Lane

Por Rodney Brocanelli

No começo de 1984, um crime abalou São Paulo, em especial radialistas e ouvintes. Um tiro dado pelas costas abreviava a carreira de uma jovem profissional que aos 21 anos trabalhava em uma das principais emissoras da capital.  Na ocasião, ela era uma das poucas vozes femininas atuando em Frequência Modulada. Conquistou fãs durante sua breve passagem pela emissora, mesmo ocupando um horário fora daqueles que atraem bastante público. Estamos falando de Miriam Lane, da Rádio Jovem Pan FM.

Miriam Lane, ou Miriam Clea dos Santos Tavares Barcelos Garcia, nasceu em Muzambinho (MG). Mudou-se para Campinas, onde começou a cursar a faculdade de Jornalismo na PUC.

Ainda em Campinas, conseguiu uma vaga no departamento de jornalismo na Rádio Educadora AM. Por ter uma voz bonita, começou a apresentar um programa de músicas de Roberto Carlos chamado Nossa Canção. Posteriormente, o passou a ser locutora da Educadora FM. Seu nome artístico nessa ocasião era Miriam Tavares.

Pedro Bondaczuk, jornalista que conviveu com ela naquela época, publicou um texto sobre Miriam no jornal Correio Popular, logo depois de sua morte. Segundo ele, a colega “irradiava simpatia, quebrando um pouco aquele clima sisudo, que muitas vezes nos dominava”.

Outras impressões de Bondaczuk: “Lembro-me, nitidamente, da sua figura, morena, bonita, sempre sorrindo (Mírian sorria com os olhos, profundos, românticos e sonhadores), ora brincando com a turma do Departamento de Esportes e de Jornalismo, ora se divertindo com as piadas do Ari Costa, ou trocando ideias com a Lucinha de Fátima na discoteca, sobre determinada canção do seu ídolo, ou pedindo algum esclarecimento ao nosso chefe, o Alair Beline, quando não mexendo com o pessoal da Técnica, o Wagnaldo Silva, o Carioca, o Joãozinho ou o Marcelo de Almeida”. (leia a versão integral aqui).

Na Rádio Educadora, Miram conheceu Pablo Garcia, que na época era coordenador de programação da emissora. Já casados, se mudaram para São Paulo no início de 1983. Ele conseguiu uma vaga na Bandeirantes FM (hoje Band FM). Ela, por sua vez, arrumou uma vaga na Rádio Jovem Pan FM (na época a Jovem Pan 2) e passou a comandar o horário noturno, entre 22h e 02h, adotando o pseudônimo de Miriam Lane.

Não se sabe quem foi que a batizou dessa maneira na Pan, mas esse era o nome da namorada do Super Homem nas edições brasileiras de suas histórias em quadrinhos publicadas no Brasil naquele período (somente depois é que o nome Lois passou a ser adotado).

Segundo o Jornal do Brasil do dia 01 de fevereiro de 1984 , seus colegas de Pan a definiram como “uma mulher simpática e alegre, que chegava cedo ao estúdio para preparar melhor seu horário, com leituras e conselhos de amigos”. Além disso, como registrou o diário, ela “recebia muitas cartas e telefonemas, principalmente depois de ter sido apresentadora de um show de aniversário da rádio, no Ginásio do Ibirapuera”.

Na Pan, Miriam encontrou um conterrâneo: Milton Neves, que na época fazia o plantão das transmissões esportivas do AM. Ambos conversavam muito nas noites de quarta e quinta, quando Neves estava na emissora (veja aqui). Ele conheceu os pais dela, Zélia e Lincoln, ainda em Muzambinho (veja aqui).

Como Miriam saia muito tarde da rádio, um colega ou então um amigo sempre ficava encarregado de levá-la para casa, no bairro do Itaim Bibi.  Na madrugada do dia 28 de janeiro, um sábado, Beto Rivera, então locutor da emissora, foi quem lhe deu carona.

Conforme relatos da imprensa, a radialista desceu na rua Itacolomi, onde morava. Depois de sair do carro de Rivera, um Escort, ela se dirigiu até a porta do prédio. No entanto, ela foi cercada por dois ladrões que anunciaram um assalto. Assustada, ela empurrou um deles e correu para o veículo dirigido por Rivera. Um dos bandidos estava armado com um revólver calibre 22 e atirou nela. Depois do disparo, a dupla entrou em um Volks branco, no qual outra pessoa os aguardava.

Miriam foi socorrida por Beto e levada para o hospital São Luís. Ao ser atendida, foi constatado que o tiro acertara sua cabeça. Já chegou em estado de coma. O Jornal do Brasil informou que “só seu coração funcionava devido à juventude e à ajuda de instrumentos”. Ela morreu em 31 de janeiro de 1984.

Depois do anúncio oficial, a Jovem Pan passou a veicular uma chamada em sua programação com a voz de Miriam identificando a emissora e, em seguida, o seguinte editorial: “Miriam Lane está morta. Miriam Lane é mais uma vitima fatal da violência da cidade. Miriam Lane foi baleada por assaltantes na porta de sua residência, quando voltava de suas apresentações diárias na Rádio Jovem Pan FM. Mirian Lane está morta. Nós estamos sós diante da violência da cidade.”

O enterro aconteceu em sua cidade natal.

Um boletim de ocorrência foi lavrado no 15º Distrito Policial, próximo ao prédio onde Miram morava. A Polícia Civil trabalhou com várias linhas de investigação, entre elas a de uma possível vingança. O caso foi desvendado mais de dois anos depois e praticamente por acaso.

Em julho de 1986, ao investigar um assalto a uma loja de automóveis, a  Polícia prendeu um suspeito de praticar esse crime. Durante o depoimento, ele confessou ter participado de uma tentativa de assalto que não chegou a ser concluída após ter feito um disparo.  No dia seguinte, pela mídia, ficou sabendo que a vítima, segundo suas palavras, era “uma garota famosa da rádio FM”.

O então delegado do 27º Distrito que efetuou a prisão quis saber o motivo do disparo. “Fiquei assustado”, foi a resposta. Outro dos bandidos, que dirigia o Volks branco, também foi preso na mesma época. Faltava apenas localizar o terceiro integrante dessa gangue.

Demorou um pouco, mas ele logo foi identificado. A grande ironia dessa história (se é que dá para colocar dessa forma) é que mais de dois anos depois, esse sujeito deixou o mundo do crime e arrumou emprego como caixa em um grande banco. Na ocasião, havia acabado de se casar e estava em lua de mel. Com sua prisão, a Policia Civil considerou esclarecida a morte de Miriam Lane.

O trio foi levado à julgamento e posteriormente condenado. As penas variaram de 15 a 18 anos de reclusão, segundo informações do Jornal do Brasil em 16 de outubro de 1986.

Voltando a 1984, pouco antes da tragédia, Miriam Lane participou das gravações de um especial produzido pela BB Vídeo para a TV Record. Ao lado de Bob Floriano, outro conhecido nome do rádio, ela fez a introdução de clipes musicais com artistas do porte de Lionel Ritchie, Dalto, Beth Carvalho, Martinho da Vila, entre outros. Mesmo depois de sua morte, a emissora manteve a veiculação do programa, programado para o dia 7 de fevereiro daquele ano. Quem quiser assisti-lo, basta clicar neste link (é necessário estar logado no VK).

Deste programa, destacamos dois trechos com a voz de Miriam Lane. Talvez os únicos registros que restaram de uma voz tão marcante. Ouça abaixo.

 

ATUALIZAÇÃO (25/04/2021) – Veja no player abaixo as intervenções de Miriam Lane no programa.

Miriam Lane

Atenção: não confundam a Rádio Nacional (SP) com a Rádio Globo (SP)

Por Rodney Brocanelli

Com a recente notícia de que a Rádio Globo vai abandonar São Paulo, muita gente boa tem feito uma enorme confusão envolvendo a história da Rádio Nacional, de São Paulo, com a Rádio Globo, de São Paulo. De certa forma, isso é normal porque uma é sucessora da outra na hoje extinta frequência dos 1100Khz. Eu fiz uma thread no Twitter (chique, não) para procurar esclarecer essas diferenças (clique aqui). Trago essas informações aqui para o Radioamantes para obter maior alcance.

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Bom, tem muita gente confundindo a história da Rádio Globo (SP) com a história da Rádio Nacional (SP), que a antecedeu…li uma manchete ontem que me deixou de queixo caído.

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A Rádio Nacional (SP), era uma emissora das Organizações Victor Costa, que também era dona da antiga TV Paulista, canal 5. Em 1965, essas emissoras, mais a Rádio Excelsior, foram vendidas para Roberto Marinho/Globo.

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Mesmo depois da venda, o nome Nacional foi mantido pelo novo dono, sabe-se lá o porquê. Isso durou até 1977 quando o governo da época pediu para que houvesse uma troca de nome. Isso devido ao fato de que já existia a Rádio Nacional, do Rio de Janeiro.

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Aquela mesma Rádio Nacional, de tanta tradição e história, que já foi uma maiores rádios do país, na época em que o veículo era forte. Aliás, muita gente também confunde as rádios Nacional do Rio e de São Paulo. Elas não tem nada a ver uma com a outra.

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Em 1977, a Nacional, de São Paulo, adotou o nome Globo-Nacional. Naquela transmissão de Corinthians x Ponte Preta, decisão do Paulista, o Osmar Santos fala muito nele. Veja abaixo.

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Acho que no ano seguinte, é que ficou apenas o nome Globo. Tudo isso que eu contei até aqui se refere aos 1100Khz, de São Paulo.

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Vale destacar que o Silvio Santos, de fato, foi comunicador da Rádio Nacional, mesmo depois da venda ao Roberto Marinho, conciliando com o programa na incipiente Globo. Mas o comunicador saiu em 1976, antes do começo da transição Nacional-Globo.

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Até faria sentido fazer essa relação, quando a Globo decidiu abrir mão dos 1100Khz. Essa frequência, sim, digamos, revelou Silvio Santos, ainda como Nacional, mas não a Rádio Globo.

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Memória: paulistas ouviram narração de Pedro Carneiro Pereira na Copa de 1970

Por Rodney Brocanelli

Neste final de semana, a Rádio Guaíba colocou no ar mais dois jogos históricos de seu arquivo, desta vez, envolvendo a seleção brasileira de futebol. No sábado (9), a emissora rodou a gravação de Brasil x Zaire, partida válida pela Copa do Mundo de 1974, na Alemanha, com narração  de Armindo Antonio Ranzolin, Neste domingo (10), foi veiculada a reprise de Brasil x Tchecoslováquia, estreia das duas seleções na Copa de 1970, no México. É desse segundo jogo, que o Radioamantes vai destacar algumas curiosidades.

Primeiro que a transmissão partida disputada no Estádio Jalisco, em Guadalajara foi transmitida em pool. Diferente do que ocorreu na Copa seguinte, quando cobriu aquela competição sozinha, a Guaíba se uniu à extinta Rádio Continental para a transmissão dos jogos daquela competição. Profissionais das duas emissoras se dividiram  para irradiar emoção aos rádios tanto de Porto Alegre, como do Rio de Janeiro.

Pela Guaíba, estiveram transmitiram os jogos Pedro Carneiro Pereira (narrador), Ruy Carlos Ostermann (comentarista) e João Carlos Belmonte (repórter). Pela Continental, Clóvis Filho (narrador), Carlos Marcondes (comentarista) e Luís Fernando (repórter). Cada narrador comandava a transmissão em um tempo da partida. Os outros profissionais participavam juntos e intervinham sempre que necessário.

Pedro Carneiro Pereira narrou a primeira etapa de Brasil x Tchecoslováquia. E justamente aqui que temos as curiosidades mais saborosas. Como se sabe, a transmissão da Copa do México foi dividida em diversos pools (entenda mais aqui). Um deles, o de São Paulo, que envolveu as rádios Jovem Pan, Bandeirantes e Nacional (hoje Globo) enfrentou dificuldades técnicas logo de cara. A saída para essas emissoras foi usar o áudio da Guaíba-Continental, que chegava sem problemas ao Brasil. Com isso a transmissão  de Pedro Carneiro, um dos maiores narradores do Rio Grande do Sul, foi ouvida pelos paulistanos. Em vários trechos de sua narração, ele informa os problemas técnicos vividos pelos paulistanos e anuncia o nome das rádios.

O pool de São Paulo só conseguiu entrar no ar aos 8 minutos do segundo tempo, com  Joseval Peixoto, representando a Jovem Pan, saudando os ouvintes e passando o comando para Fiori Giglotti, da Bandeirantes. “Ninguém pode imaginar o drama e o sacrifício que vivemos, que experimentamos até agora para que nosso som chegasse ao Brasil”, disse o locutor da torcida brasileira. Fiori e Joseval fatiaram a transmissão do que restou daquele segundo tempo (ouça aqui o áudio disponibilizado pelo jornalista Thiago Uberreich).

A transmissão do pool Guaíba-Continental seguiu normal para as duas rádios, com Clóvis Filho assumindo a narração. Aliás, essa reprise veiculada pela rádio porto-alegrense serviu também para resgatar um a memória da  Continental, que operava nos 1030Khz no Rio de Janeiro e era uma das grandes audiências locais durante o futebol.

Pedro Carneiro Pereira foi diretor do departamento de esportes da Rádio Guaíba. Além disso, sua outra paixão era pela pilotagem. Ele morreu em 1973, aos 35 anos, em um acidente durante a 4ª etapa do campeonato gaúcho de carros turismo, no autódromo de Tarumã, em Porto Alegre.

Ouça no link abaixo a íntegra de Brasil x Tchecoslováquia.

https://www.facebook.com/613005798713948/videos/853548625138549/

Pedro Carneiro Pereira